O Brasil está entre os países que mais consomem remédios no mundo, em especial, analgésicos. Nos últimos anos – de 2013 a 2016 –, conforme levantamento da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) a pedido do portal O Tempo, os analgésicos estão no topo do ranking de medicamentos com maior faturamento no país neste período. Ou seja, dos cinco medicamentos que mais venderam no país em 2016, três são usados para reduzir ou aliviar a dor.

Modismo, automedicação e facilidade de compra contribuem para que a maioria dos brasileiros queira sempre ter analgésicos à mão, conforme analisa o diretor da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), Ricardo Alexandre de Souza.

“Sabe-se que os números são causados muito por causa da questão do acesso aos medicamentos de maneira sem prescrição, no próprio balcão, pois, quando as pessoas chegam na farmácia, eles estão ali ao lado do chocolate e as pessoas compram porque vende três caixas por R$ 30 e todo mundo quer ter um Dorflex na bolsa”, comenta.

Nas primeiras posições, além do analgésicos, aparecem também medicações especificas, como por exemplo anticoagulante (Xarelto), disfunção erétil (Cialis), hipertensão arterial (Selozok), além de suplementos vitamínicos.

Nos quatro anos analisados, Dorflex e Neosaldina aparecem sempre nas primeiras cinco posições, sendo o primeiro líder em todos os anos. Em 2016, o Torsilax, que também é um analgésico, surge em quinto lugar, com R$ 215,3 mi em vendas.

“Todos os três são considerados compostos múltiplos. Isso significa, por exemplo, que o Dorflex é um anti-inflamatório com analgesia e relaxante muscular, o Torsilax também, e a Neosaldina ainda tem cafeína. Todos eles têm efeitos colaterais severos”, diz Souza.

Segundo o médico, o Dorflex pode apresentar efeitos colaterais severos em 10% da população, podendo gerar desde secura da boca, até lesão de pele e aumento na alteração dos glóbulos brancos no sangue. Além disso, entre os riscos, Souza alerta que essas ‘medicações de bolsa’ banalizam a dor e podem mascarar um problema mais sério.

“São remédios que causam um ciclo de analgesia. O paciente tem que tomar cada vez mais, e quando usa mais, gera uma certa tolerância que depois de certo tempo para de funcionar e esse sujeito acaba tendo que tomar doses cada vez maiores e toxicidade maior”, diz o diretor da AMMG.

Em nota, a Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip) informou que, pela ausência da necessidade de receita médica, a utilização dos medicamentos isentos de prescrição (MIPs) é considerada “uma prática de autocuidado, que está alinhada com a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS)” e que “esses medicamentos também exercem um papel social e econômico importante”.

Consumo. O Brasil é um dos campeões mundiais em consumo de analgésico. Especialistas alertam que pessoas que os consomem mais de três vezes ao dia e diariamente, precisam procurar ajuda.

Medicamentos são eficazes e seguros, alegam fabricantes

A Sanofi, fabricante do analgésico Dorflex, informou que o remédio indicado para o alívio da dor associada às contraturas musculares, incluindo dor de cabeça tensional, “é comprovadamente reconhecido por sua eficácia e segurança de acordo com as regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)” e que “deve sempre ser usado conforme as recomendações da bula”.

Já a Takeda, fabricante da Neosaldina, esclareceu também por nota, que a medicação, presente no mercado há 46 anos, “é seguro e com eficácia comprovada cientificamente, desde que consumido conforme indicação em bula, e recomenda sempre que o paciente procure um médico caso os sintomas persistam’. Pesquisa conduzida pelo laboratório junto ao Ibope Inteligência, feita com mais de mil brasileiros entre 18 e 55 anos e revelou que 95% acreditam que a dor de cabeça afeta seu dia-a-dia. Por isso, a fabricante vem investindo em iniciativas que colaborem na percepção dos sintomas da dor de cabeça.

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Fonte:

O Tempo