Por Priscila Rocha 

A falta de atenção de funcionários da Escola Municipal Paulo Barbosa resultou no sumiço de dois estudantes de apenas 4 anos. O caso ocorreu na segunda-feira (29), após o término da aula.

Ao serem liberados, os alunos Pedro Henrique e Emanuele caminharam em direção ao local onde a van de transporte escolar fica comumente estacionada, porém, por falta de vagas, o veículo estava parado em outra rua. Segundo as mães dos alunos, eles andaram por cerca de 400 metros. “As crianças foram encontradas por duas mães que estavam indo buscar os filhos na escola. O número do meu telefone estava nas coisas do Pedro e elas entraram em contato comigo comunicando que haviam achado meu filho perdido na rua”, informou Jéssica Sobrinho da Silva.

A escola está localizada na rua Hermínio Pio da Silva, no bairro Ouro Negro, e as crianças foram encontradas na rua Equador, próximo à sede da Cemig.

De acordo com Jaqueline, mãe de Emanuele, ela foi comunicada da situação pela responsável pela van. “A proprietária da van me ligou perguntando se eu havia buscado a Emanuele. Quando disse que não, ela me informou que minha filha havia sumido”.

Funcionários da escola e pessoas que estavam no local realizaram uma busca nas dependências e nas proximidades da instituição que só terminou após as crianças serem entregues na escola pelas mulheres que as encontraram.

De acordo com informação apurada pelo Últimas Notícias, as crianças, que cursam o primeiro período da educação infantil, foram liberadas pela vice-diretora da instituição, Ana Cláudia Gabriel Alves que acreditava que a van escolar dos alunos estava próxima à portaria da escola.

Segundo Jaqueline, a diretora da escola Juliana Abadia Teixeira, só entrou em contato após ela ter feito uma reclamação na Secretaria Municipal de Educação e Esportes. “Como responsável pela escola, a Juliana deveria ter entrado em contato comigo tão logo tomou conhecimento do problema, mas não foi isso que ocorreu. Desta forma, fiz uma reclamação na secretaria”.

Na terça-feira (30), as mães se reuniram com a diretora da instituição e a vice-diretora. De acordo com Jaqueline, Ana Cláudia assumiu ter aberto o portão para as crianças. “Ela nos disse que liberou as crianças, mas não viu a van ou a responsável por buscar as crianças”.

Por questões de segurança, as crianças são liberadas apenas na presença do responsável da van escolar. Neste dia, segundo o que ficou esclarecido na reunião, a responsável por buscar as crianças estava nas dependências da escola para pegar Pedro, Emanuele e outros alunos e Ana Cláudia achou que ela estava na rua esperando as crianças e as liberou.

No encontro, foi revelado que a escola está sem inspetor desde fevereiro deste ano e que no período matutino nenhum funcionário fica na portaria. “Não queremos prejudicar a escola, mas o que aconteceu foi muito grave, as crianças caminharam por ruas movimentas e poderiam ter sofrido um acidente. Queremos chamar a atenção de todos os pais para essa questão”, disseram Jaqueline e Jéssica.

Ao Últimas Notícias a Secretaria de Educação e Esportes enviou a seguinte nota: “a Secretaria Municipal de Educação conta com sete cargos de inspetor escolar: seis estão trabalhando em escolas de tempo integral e outro na Escola Miralda de Carvalho, de sexto ao nono ano. Em compensação, as demais escolas contam com profissionais que desempenham essa função, como no caso da Paulo Barbosa, que conta com vice-diretora, duas pedagogas, duas professoras eventuais que ficam fora de sala de aula e servidores em adaptação profissional que estão também com essa atribuição de inspetor”.

Jaqueline informou que registrou uma denúncia na Ouvidoria da Prefeitura contra a vice-diretora. “Na reunião ficou claro que a culpa foi da Ana Cláudia, eu tentei registrar um Boletim de Ocorrências, mas como eu não estava na escola, a Polícia Militar me aconselhou a abrir um processo”. Ainda segundo Jaqueline, a filha dela está abalada e ela pretende tirá-la da escola. “No dia seguinte ao ocorrido, Emanuele até foi para a escola, mas deu uma crise de choro e tive que buscá-la”.

O ouvidor municipal, Welerson Andrade informou ao jornal que já tomou as providências cabíveis e comunicou a Secretaria de Educação e Esporte sobre o caso.

Jéssica informou que manterá Pedro na escola. “Pedro não irá para a escola essa semana, mas não pretendo tirar meu filho porque entendo que os funcionários da escola são bons profissionais e o que ocorreu é apenas um caso isolado. Que fique bem claro que as profissionais da van não têm nenhuma culpa”.

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