Placa com informações sobre a obra que deveria estar concluída desde agosto de 2015 (Foto: Glaudson Rodrigues)

Paulo Coelho*

O descaso do poder público em relação à populosa região que vive no bairro Mangabeiras, há muitos anos, tem sido causa de centenas de reclamações que, até hoje, são encaminhadas aos órgãos de imprensa de Formiga e se multiplicam por meio das redes sociais.

A tênue esperança de que a região poderia vir a ser olhada de forma diferente surgiu quando foi criado no bairro o Parque do Jequitibá e se construiu a edificação que se destinaria à propagação de práticas ambientais e daria suporte às escolas públicas neste importante seguimento.

A obra, iniciada ainda no governo Aluísio Veloso, foi concluída nos primeiros meses da administração Moacir Ribeiro e por razões mais que conhecidas (políticas), acabou abandonada. Importante frisar que o projeto do Parque do Jequitibá foi integralmente custeado pela Arpa II, através de recursos repassados pelo Ministério Público. Dentre as obrigações do município, estas gravadas em Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) constava a pavimentação da via de acesso.

Ocorre que, durante todo o período do (des) governo Moacir Ribeiro, o que os moradores daquela populosa região verificaram foi que, com o abandono do projeto, apesar de serem contribuintes, nem mesmo o mínimo de serviços que deveriam ser ofertados pelo município, a eles, até hoje, são dispensados.

As vias públicas existentes no bairro Mangabeiras, em sua quase totalidade, se mostram intransitáveis a cada período de chuva. Veículos presos nas garagens, em razão das erosões que surgem onde antes era pista de rolamento, por lá existem aos montes, conforme foi comprovado pela reportagem.

Rua Aloísio Bernardes de Castro (Fotos: Glaudson Rodrigues)

Ouvidos, alguns moradores se queixaram da falta de iluminação pública, da não realização da capina, da não regularidade no fornecimento de água e da não coleta de lixo.  “Isto é até justificado, pois para trafegar por aqui, só se a coleta fosse feita por tratores. Não tem caminhão que consiga transpor esta buraqueira e os atoleiros”, comentou de forma irônica, uma moradora.

Para completar os danos nas vias públicas, todo o serviço de pavimentação que foi iniciado por lá e paralisado, ou refeito por diversas vezes, com as chuvas que ocorreram na segunda quinzena de dezembro, foi todo perdido.

Pior que isso, toda a rede de esgoto foi danificada e por alguns dias, os moradores foram obrigados a conviver com o esgoto colhido na região, correndo a céu aberto pelas valetas que se formaram em toda a extensão da rua Aloísio Bernardes de Castro, onde se localiza o Parque do Jequitibá.

Registre-se que na manhã desta quarta-feira (3), o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) tomou a providência solicitada e a rede de esgoto foi reparada.

Consultado sobre o que seria feito em relação à referida via, o secretário de Obras, José Ronaldo Couto, informou que a atual administração, diante do não cumprimento das obrigações assumidas pela construtora Niemeyer – vencedora da licitação em 2015 – uma  vez esgotada a paciência e as possibilidades de manter-se o tal contrato, optou por sua rescisão e decidiu que em breve licitará novamente a obra, já que parte dos recursos a ela destinados já estão disponibilizados pelo Governo Federal à espera de que o serviço seja executado e medido.

Cerca de 20 trechos de ruas cujos serviços foram iniciados e paralisados pela construtora no município, estão todos em péssimas condições de tráfego.

Em abril de 2017, o prefeito Eugênio Vilela, em companhia do então secretário de Obras, Flávio Passos; do atual secretário José Ronaldo Couto e do responsável pela manutenção das estradas rurais, José Thiers, visitou as obras em questão (todas iniciadas e paralisadas nos governo anterior) e anunciou que elas, agora com a renegociação havida entre o município

e a Construtora Niemeyer, haviam sido retomadas e a empresa se comprometia a concluir os serviços até 31 de dezembro de 2017.

No caso específico da rua de acesso ao Parque do Jequitibá (Rua Aloísio Bernardes de Castro) os moradores já sabem  que o trâmite de um processo de licitação para escolha de nova construtora é bastante demorado e assim sendo, esperam que a Prefeitura, ao menos, uma vez resolvido o problema do esgoto a céu aberto,  providencie, ainda que de forma precária, uma solução que respeite o direito de ir e vir, permitindo que eles,  mesmo aos trancos e barrancos, circulem com seus veículos por aquilo que se convencionou chamar de via pública.

A reportagem tentou contato com a Construtora Niemeyer, mas não obteve resposta do sr. Alexandre (proprietário da empresa) que, segundo a secretária, logo retornaria a ligação.

Veja a relação das vias que já deveriam estar asfaltadas:

Rua Vereador Celso Fernandes Couto – Ouro Verde

Rua Professor Hilário Gontijo – Ouro Verde

Rua 1 – Ouro Verde

Rua Margarida Corrêa Nogueira – Ouro Verde

Rua Eva Moura Mariano – Ouro Branco

Rua Padre Teodoro Antônio Becker – Ouro Branco

Rua Coimbra – Nossa Senhora de Lourdes

Rua Pará de Minas – Jardim Alvorada

Rua E – São Luiz

Rua D. Pedro II – São Luiz

Rua Antônio Rodrigues Oliveira – Elza Dinorah

Rua IsolinaCândica de Paula – Santa Tereza

Rua São Vicente de Paula – Santa Tereza

Rua José Augusto de Souza – Santa Tereza

Rua Artur Frade – Santa Luzia

Rua Alberto Soraggi – Santa Luzia

Rua Lucimar Vital do Santos – Elza Dinorah

Rua Aloísio Bernardes de Castro – Magabeiras

Rua Rio Tietê – Mangabeiras

Rua Irene Rodrigues de Faria – Pôr do Sol

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