Indignados com as suspeitas de corrupção e desvios de recursos públicos, a população de dois municípios mineiros realizou na terça-feira (2) protestos em frente aos legislativos municipais. Nos dois atos, a entrada das câmaras municipais de Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e de Montes Claros, Norte de Minas, foi varrida e lavada para simbolizar a faxina nos órgãos. O movimento, aparentemente isolado, surge após várias denúncias contra parlamentares – não só das duas cidades.
Em Vespasiano, um grupo de moradores fez uma mobilização pela internet convocando a população para lavar a corrupção da Câmara. Munidos de vassouras e baldes com água e sabão, 50 pessoas lavaram as escadarias da sede do Legislativo. O protesto foi concebido após o jornal Hoje em Dia mostrar, com exclusividade, que os vereadores do município utilizam notas de empresas fantasmas para comprovar gastos com verba indenizatória. Os parlamentares também apresentaram cupons fiscais do Posto Tradição – posto onde supostamente os vereadores pedem para lançar valores mais altos nas notas. Abastecendo R$ 60 e pagando um cafezinho de R$10 para o frentista, o Hoje em Dia saiu de lá com uma nota no valor de R$ 1 mil.
E não foi só as verbas indenizatórias que incomodaram os moradores de Vespasiano. A existência de um mensalinho praticado pelo vereador Altair Sebastião de Souza, o Altair do Sacolão (PTB), também motivou o protesto. Souza é investigado pelo Ministério Público (MP) por ter nomeado uma funcionária do seu comércio para um cargo no gabinete e depois que ela abriu a conta para receber o salário, o vereador tomou posse do cartão e da senha do banco e sacou o salário dela, durante 34 meses. Souza angariou R$ 29.410 no período. O povo está farto de tanta corrupção, afirma Rogério Santos, um dos organizadores do protesto. O MP investiga os dois casos.
Em São Gonçalo do Rio Abaixo, na Região Central de Minas, o MP vai pedir a Justiça o afastamento de oito dos noves vereadores, além de outros de legislaturas passadas, estão sendo acusados de desviar R$ 2,1 milhões em contratos suspeitos de corridas de táxi, conforme denunciou o Hoje em Dia com exclusividade. O MP também vai pedir a condenação deles por improbidade administrativa e enriquecimento ilícito, além de requisitar o ressarcimento integral aos cofres públicos do montante desviado. No âmbito criminal, eles serão denunciados por formação de quadrilha e peculato.
Caso semelhante é dos vereadores de Fronteira, no Triângulo Mineiro. Depois que todos os nove parlamentares foram afastados pela Justiça por gastos indevidos com a verba indenizatória e presos há 14 dias por atrapalharem a investigação, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido de liminar em habeas corpus e eles vão continuar na cadeia até o julgamento do mérito, que será feito pela Sexta Turma do tribunal, após recebimento de parecer do Ministério Público Federal. O MP sequestrou os bens dos parlamentares e pediu o ressarcimento aos cofres públicos.
Já em Paraopeba, na Região Central, quem está na mira da população é o prefeito Marcelo Uberaba (PT). No dia 9 de julho o petista atirou no presidente do diretório municipal do PMDB, Wilson de Campos Rocha. Ontem, a Câmara decidiu instalar uma Comissão Processante para investigar o caso. Criminalmente, Uberaba pode ser indiciado por disparo de arma de fogo e, se condenado, pegar de dois a quatro anos de prisão.

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