É óbvio que todos nós que moramos aqui neste cantinho do chamado “país tropical”, que se vangloria de ser “abençoado por Deus” (embora sobre isso haja controvérsias, especialmente após o advento dos últimos governos de FHC, Lula, Dilma, Moa e outros mais por aí) sabemos que, nesta terrinha descoberta por Cabral, em termos de funcionamento da tal máquina pública, esta só pega no tranco, após o carnaval.

Assim sendo, neste ano, só depois de 15 de fevereiro é que a engrenagem da máquina pública começará a rodar. Exceção válida apenas quando se trata de recolhimento de taxas e impostos, pois estes, a exemplo do IPVA, em breve estará rendendo multas e apreensões a quem, inadvertidamente ou por mera necessidade, ousar tirar seus veículos da garagem sem a quitação do tal imposto. Menos para a turma lá do Ouro Verde e da região do Parque do Jequitibá que, sem auxilio de guinchos, sabe-se lá quando poderão se dar ao luxo de tirar de suas garagens os veículos “encarcerados”, apesar de nada deverem ao governo. Por quê? Simplesmente porque o descaso ou conivência de administrações anteriores, a falta de cuidado com o dinheiro público, a não fiscalização etc. e tal, reinantes nessa terra assim permitiram.

A verdade é que o cerne da questão; o inchaço de máquinas públicas, resultante dos acordos espúrios a que se submeteram os “ontem candidatos”, sem o que, hoje não estariam eleitos; assim como a escolha de ocupantes inexperientes, mas, todos indicados pelos partidos políticos para ocuparem cargos que em princípio deveriam se destinar a técnicos, bem como a contratação de alguns outros que pecam pelo excesso de tecnicidade, quando a sensibilidade política deveria se fazer valer, em especial no atendimento daquilo que as comunidades próximas anseiam, acaba resultando nisto que aqui, lá e acolá, assistimos no último ano: arrocho financeiro!

Exemplo disso se tem agora lá em Brasília, onde o ocupante do cargo maior, o tal do Temer, que, sem tremer ou temer, quer emplacar no Ministério do Trabalho aquela senhora, pois sobre ela, tudo sabemos e até reconhecemos as qualidades que certamente embasaram a sua escolha.

Aqui no Estado, o governador divulgou na quinta-feira (1º) as datas previstas para a quitação dos salários de janeiro dos servidores estaduais que, se estenderão, se tudo correr bem, até o final de fevereiro.

Estranho também é que algumas centenas de prefeitos, segundo se anunciou, estarão democraticamente se manifestando lá em BH nesta sexta-feira (2), onde reivindicarão aquilo que lhes é de direito e que, apesar de ser constitucional, lhes tem sido negado. Recursos que lhes faltam nas áreas de Educação, Saúde, Segurança e outras que aos poucos, em especial a partir de 1968, passaram a ser encargos municipais.

Tudo bem! Que os prefeitos se manifestem! Que exijam soluções e façam valer o que todo mundo sabe, estará em jogo lá. Apoio político para aqueles que pretendem se candidatar, até porque a tal da imunidade precisa lhes ser mantida. A moeda de troca, como ocorre lá e Brasília, é e será sempre, a liberação daquilo que já lhes é de direito.

Mas, a pergunta é: por que o Legislativo que até ontem estava no gozo de férias – nem todos, ressalve-se aqui -, também precisa estar lá? Estarão nossos edis defendendo e cobrando algo em nome do funcionalismo público estadual?
Se a Associação Mineira dos Municípios (AMM) representa legalmente os municípios, seria mesmo necessário esta gastança toda num Estado que se diz em estado de penúria financeira?

É no mínimo estranho que, de pires nas mãos, alguém se disponha a gastar o que declara não ter, sob a desculpa de que a ajuda só virá se todos eles, lá estiverem de corpo presente.

Tomara que a estratégia dê certo, porque do contrário, quem já se acostumou com a ideia de este ano não ter “carná”, que se prepare para enfrentar um jejum que por certo vai durar muito mais do que os tradicionais 40 dias.

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