Por Gleiton Arantes

Neste sábado (7), completa 1 mês da tragédia ocorrida em Formiga, que atraiu a atenção de toda a cidade e foi notícia nacional: a explosão no reservatório de gás de uma padaria na avenida Guiomar Garcia Neto, nas proximidades do Terminal Rodoviário.

O impacto causou danos em vários imóveis da região, entre residências e estabelecimentos comerciais. A equipe do Últimas Notícias voltou ao lugar da tragédia e ouviu moradores e comerciantes que, aos poucos, tentam retomar a rotina.

Eles relataram sobre o que presenciaram naquela madrugada e como estão buscando superar a fatalidade.

O empresário Juninho Ribeiro, proprietário da loja de som automotivo, Juninho Som e Acessórios contou que não acreditou quando foi informado que a empresa dele estava no chão. “Quando cheguei lá e vi a proporção da coisa nem acreditei, achei que tinham jogado uma bomba. Até hoje a ficha não caiu, mas aos poucos as coisas estão se ajeitando”.

Questionado, Juninho disse que a respeito de um seguro que cobriria os danos de todos os afetados, ainda não há nada definido. “A advogada do proprietário da padaria ainda não nos deu um parecer sobre o assunto. Recebemos muito apoio de amigos e clientes que se solidarizaram com a gente”.

A empresa dele foi instalada em outro local, na avenida Tabelião Juca Almeida, no Centro. “Ainda não conseguimos colocar as coisas no lugar, isso é aos poucos e com o tempo, mas irá demorar”.

Juninho disse ainda, que a empresa estava instalada na avenida Guiomar Garcia Neto há 15 anos e que pensa em voltar para as imediações, pois o ponto ficou marcado e é uma área interessante para atender os clientes.

Já o empresário Pedro Bernardes, que iria inaugurar um novo espaço no segundo andar do imóvel que explodiu, relatou ao UN que a reação foi das piores. “Todos acham que esse tipo de tragédia nunca vai acontecer próximo da gente. Ninguém está preparado para o acontecimento de coisas ruins. Estávamos [ele e o sócio] em São Paulo quando ocorreu a explosão, fomos comprar alguns materiais. A nossa volta para Formiga parecia que nunca terminava”.

Pedro relatou ainda, que a rotina, ainda mais de quem gera emprego e renda, não pode parar. “Não podemos deixar esse ocorrido dominar a gente. A minha ideia e do meu sócio é fazer acontecer. Nosso sonho não poderia ‘explodir’ junto com aquilo ali. Vamos inaugurar esse gastrobar ao lado do imóvel que desabou. O local passou por reformas e será oferecido um espaço diferenciado para a população formiguense. A ideia é ficar nesse novo local, mesmo que seja em um espaço reduzido. Ter uma experiência diferente, tanto nos pratos a serem servidos, quanto no atendimento, tentando sempre acertar”.

O empresário destacou o apoio que ele recebeu de amigos e familiares. “Foi fundamental tanto para mim quanto para o meu sócio Aender, o amparo que recebemos de nossas famílias. A gente fala que nosso sonho foi apenas adiado e não interrompido. Não poderíamos desistir de jeito nenhum”.

Em relação a seguros, Pedro afirmou que não há nada de concreto. “Nada ainda foi decidido. Estamos esperando os laudos periciais, que ainda não foram concluídos”, explicou.

Eliana Fonseca Costa, moradora da rua Sinhá Soares, localizada aos fundos da avenida Guiomar Garcia Neto, relatou que o ocorrido foi inexplicável, pois como estava dormindo, não conseguia imaginar o que estava acontecendo.

A residência dela foi tomada por muita terra, poeira e vidros quebrados. Passado o susto, veio a comoção, pois o emocional fica abalado e qualquer barulho deixa as pessoas assustadas.

Eliana contou que a residência dela já está habitável e o seguro do imóvel foi acionado e que agora o desafio é esquecer o acontecido, se preocupar com os afazeres e com a rotina. 

A dentista Janaína de Castro Silveira reside na rua José Premilo Montolli com o marido que também é dentista e duas filhas, uma de 6 e outra de 9 anos. A residência deles localizada no segundo andar do consultório também ficou bastante danificada ainda mais por ter grande quantidade de vidros.

“O gesso do teto caiu, muitos vidros quebraram, inclusive meu marido se machucou. Minhas filhas ficaram bastante abaladas com o barulho, e por ver os danos. Agora é que elas estão conseguindo dormir e realmente qualquer barulho elas relacionam ao ocorrido”, contou a dentista. 

Janaína relatou ainda, que estão tendo que arcar com as reformas na residência, o que, infelizmente, não fica a mesma coisa. “A casa e o consultório ficaram bastante danificados. Fomos orientados a guardar as notas fiscais dessa reforma, e aos poucos estamos retomando a nossa vida”.  

A empresária Beth Pinto Ribeiro, que reside na rua Professor Joaquim Rodarte, relatou que todos se assustaram com o ocorrido, pois não sabiam se tratava-se de um raio ou coisa semelhante. A residência que fica mais afastada do local também teve danos. O imóvel dela conta com seguro e já foi feito o orçamento, enviado para a seguradora para que a casa possa ser reformada.

“Até nos dias de hoje qualquer barulho assusta. Antes eu não tinha medo de dormir sozinha, hoje posso falar que tenho. Isso sem falar que em momento algum ninguém nos procurou para saber se estávamos bem”, disse Beth.

Os netos dela, que moram com os pais na mesma rua, também ficaram bastante assustados com o ocorrido e qualquer barulho os relembra das más sensações trazidas pelo ocorrido.

O portal procurou ainda, o proprietário da padaria, Douglas de Melo Alves para saber mais detalhes da situação atual da empresa, se há projeto de reerguer o empreendimento e demais detalhes sobre o caso, porém, ainda muito abalado com o fato, o empresário afirmou não estar preparado para falar sobre a tragédia. O UN também tentou contato com a família do padeiro Leone Márcio Augusto, mas não obteve resposta.

A explosão

A padaria Melo havia sido inaugurada no dia 1º de novembro. No dia da tragédia, 7 de novembro, o padeiro Leone Márcio Augusto, de 22 anos, chegou ao local para trabalhar, mas faleceu devido a explosão.

Ao vasculhar os escombros, os bombeiros encontraram o corpo da vítima soterrado sob parte da laje. O jovem teve o crânio e o tórax esmagados.

A avenida precisou ser isolada e ainda segundo os bombeiros, no local foram encontrados quatro vasilhames de gás dos tipos P190 e P13. De acordo com o proprietário da padaria, a central de gás foi instalada por uma empresa de Belo Horizonte.

Em nota, a direção da padaria explicou que sempre adotou todas as medidas de precaução e segurança, aplicando todas as regras que a legislação permite. As causas seriam investigadas e todas as providências tomadas.

De acordo com o delegado regional Irineu Coelho, em entrevista concedida uma semana após o fato, a perícia deverá ficar pronta ainda na primeira quinzena de dezembro.

Missa

Uma missa em intenção do ocorrido foi celebrada no sábado (30), na área de desembarque de passageiros do Terminal Rodoviário.

A celebração, conduzida pelo padre Marcelo, da Paróquia São Vicente Férrer, foi voltada aos vizinhos residentes e empresas da região da Rodoviária, que sofreram com a tragédia.

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