O gabarito oficial do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será divulgado nesta quarta-feira (28). Com um post no Twitter, o Ministério da Educação (MEC) confirmou a previsão inicial de que os dados seriam liberados até a data.

As provas do Enem foram realizadas em todo o país no sábado (24) e no domingo (25). Para alguns estudantes, a impressão foi de que a prova foi “a mais difícil da história do exame”.

E agora, Enem?

Depois de rechecar o gabarito nesta semana, os candidatos precisam aguardar a divulgação das notas.

Na edição 2014, o Ministério da Educação (MEC) liberou a consulta individual das notas em janeiro, somente 65 dias depois das provas.

Já a inscrição para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que considera as notas do Enem para distribuição de vagas em universidades públicas, começou uma semana depois da divulgação das notas.

Para a edição 2015, o ministro Aloizio Mercadante ainda não divulgou estimativas de datas para apresentação das notas ou para abertura do Sisu.

Além da seleção de vagas em universidades públicas, o Enem é obrigatório para estudantes de escolas públicas interessados em bolsas de estudo parciais ou integrais em universidades particulares por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni), bolsas de intercâmbio pelo Ciência sem Fronteiras e para universitários que querem financiar um curso superior por meio do Fies.

Provas de sábado

O primeiro dia de provas teve 90 questões de ciências humanas e da natureza, que precisavam ser respondidas em quatro horas e trinta minutos.  De acordo com o relato dos professores e alunos, as provas exigiram mais conteúdo e leituras e privilegiou menos as imagens do que nas edições anteriores. Na prova de ciências da natureza, alguns dos temas que foram abordados incluem assuntos sobre genética e DNA, primeiros socorros e o desempenho esportivo de Usain Bolt.

Já a prova de ciências humanas, que exigiu bastante leitura dos textos para chegar às alternativas corretas, trouxe como temas muitos pensadores do século XX, como Simone de Beauvoir e Friedrich Nietzsche, e charges de Amarildo e Ziraldo.

Primeiro dia em que os candidatos tiveram que chegar às 13h, houve um maior número de casos de atrasados pelo país. Em São Paulo, na Uninove, candidatos chegaram a passar por entre as grades da Uninove. Ao menos uma passou mal e precisou de atendimento médico.

 

Provas de domingo

O segundo dia de provas foi dedicado ao conjunto “Linguagens, códigos e suas tecnologias, redação e matemática”. Foram cinco horas e 30 minutos para resolver as 90 questões e produzir uma redação de até 30 linhas sobre o tema “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”.

Na parte dedicada a Linguagens, a prova teve questões que citaram os artistas Luiz Gonzaga, Pixinguinha, Chico Buarque, Toquinho e Arnaldo Antunes.

Já a prova de matemática foi baseada em situações do cotidiano, como a crise hídrica e a vacina do HPV. Cálculo de área, probabilidade, logaritmo e porcentagem também estiveram no caderno de provas, que exigiu leitura de gráficos.

Como em outros anos, houve atrasos e correria no fechamento dos portões em diversas cidades.

 Eliminados e abstenções

Nos dois dias do Enem 2015, 740 candidatos foram eliminados: 677 candidatos por uso de equipamentos inadequados e 63 no detector de metais, segundo Mercadante. Além disso, houve três casos de postagem de fotos das provas dentro das salas.

“Foi um número muito pequeno. Foi uma vitória de regras que estão se consolidando”, disse Mercadante. O ministro afirmou ainda que o total de abstenções (faltosos) foi de 25% dos 7,7 milhões de candidatos.

Tema da redação: Violência

Apontado por professores e estudantes como um dos temas mais pertinentes entre todos os já abordados na história do Enem, a violência contra as mulheres ganhou repercussão nas redes e no debate político. 

 

Uma questão da prova de Ciências Humanas do Enem 2015 chamou a atenção de grupos feministas e ativistas nas redes sociais. A pergunta traz a célebre frase de Simone de Beauvoir (“Não se nasce mulher, torna-se mulher”) e é citada em uma questão sobre as lutas feministas da metade do século XX. Elas publicaram reproduções da prova e comentaram sobre a inclusão do assunto no Enem.

G1

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