Durante a audiência pública da saúde realizada na última sexta-feira (28), esteve presente, representando o Corpo de Bombeiros, o sargento William Alves da Silva que, ao falar do atendimento da corporação na cidade acabou expondo mais um problema grave no município.
Enquanto os bombeiros militares correm contra o tempo para atender dezenas de ocorrências, principalmente de pessoas acidentadas ou que passaram mal, uma ambulância da Secretaria de Saúde permanece parada diuturnamente próximo à entrada do Pronto Atendimento Municipal. De acordo com o sargento, 50% dos atendimentos às emergências hospitalares deveriam ser feitas pela Prefeitura, já que além desse tipo de resgate, o Corpo de Bombeiros ainda precisa atender as demais ocorrências, como incêndios.
Outro problema apontado pelo sargento é o descumprimento do convênio firmado entre a Prefeitura e o Estado quando da instalação do Pelotão em Formiga em 2011, que previa um repasse de R$3 mil/mês. ?Hoje a Prefeitura só paga as contas de água, luz, telefone e internet e já recebemos notificações de que vão cortar os serviços por falta de pagamento. Deveriam (Secretaria de Saúde) nos repassar material de atendimento pré-hospitalar como luvas, gaze e ataduras, mas não nos entregam 20% do necessário, dificultando nosso trabalho?, comentou o sargento que explicou que, apesar de estar previsto o atendimento em outros municípios, 98% das ocorrências registradas pela corporação são de Formiga.
Para encerrar sua fala, o sargento contou que foi acionado a comparecer ao Ministério Público para explicar o não atendimento a um incêndio no Parque do Jequitibá. A denúncia foi feita pela Secretaria de Gestão Ambiental. ?Não posso priorizar incêndios em detrimento de salvar vidas. Todas as ocorrências não atendidas geram boletins de ocorrência e se não fomos é por falta de condições de atender tantos casos ao mesmo tempo enquanto a ambulância da Saúde está parada. Admito que fiquei ofendido com a denúncia, porque qualquer um sabe o quanto nos esforçamos para atender. Nossos turnos de descansos foram reduzidos e já passamos quase 23 horas em um único atendimento em uma empresa caieira da cidade?, desabafou o militar, que se despedirá em breve de Formiga após realizar todo o trabalho de instalação do Pelotão de Corpo de Bombeiros.
De acordo com o secretário de Comunicação, Flávio Roberto Pinto, o descumprimento do convênio se dá pelas dificuldades financeiras da Prefeitura e sugeriu uma reunião com o Prefeito Moacir Ribeiro para discutir o problema do repasse e do material pré-hospitalar.
Flávio disse ainda, que a judicialização da saúde, quando por determinação da justiça são gastos valores exorbitantes para a aquisição de medicamentos que deveriam ser fornecidos pelo Estado, também tem causado problemas no caixa da Saúde.
Sobre a ambulância parada sem prestar serviços, apesar de questionada, a secretária Maria Inês Macedo não soube explicar quanto estava sendo economizado por sua pasta por meio da paralização do serviço, mas garantiu que o mesmo será reativado muito em breve, diminuindo, portanto a sobrecarga de trabalho do Corpo de Bombeiros da cidade.

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