O Brasil já teve casas de jogos extremamente luxuosas e que movimentavam a economia de cidades inteiras. No entanto, em 1946, o então presidente do Brasil durante o regime militar, Eurico Gaspar Dutra assinou o decreto-lei 9 215 e proibiu os jogos de azar em todo território nacional.

O argumento do então presidente foi de que o jogo é degradante para o ser humano, no entanto, a sua real motivação foi a forte influência da primeira dama Carmela Teles Leite Dutra, conhecida como “Dona Santinha”. A primeira dama era bastante devota da Igreja Católica, e os dogmas religiosos são contra os jogos, o que a levou a influenciar o presidente.

Infelizmente, cidades como Petrópolis, Poços de Caldas, Lambari, Caxambu e outras tiveram a sua economia devastada, já que as casas de jogos, os comércios e serviços prestados na cidade dependiam desta gigante fatia econômica.

O impacto social foi tamanho que influenciou inclusive no crescimento de moradias irregulares em grandes centros urbanos. Esse movimento ocorreu porque famílias inteiras se viram desempregadas e sem alguma fonte de renda, além da falta de perspectiva na cidade que residiam. Com a extinção das casas de jogo, enxergando na ida para as grandes cidades uma esperança atrás de novas oportunidades, o problema começou a agravar.

No entanto, o jogo não voltou a ser legalizado e regulamentado no Brasil, pelo mesmo motivo que levou a sua proibição em 1946, os dogmas religiosos. Atualmente o Congresso Nacional do Brasil conta com uma Frente Parlamentar Evangélica, conhecida popularmente como bancada evangélica, numerosa o suficiente para impedir o avanço de qualquer tipo de tentativa que leve à liberação dos cassinos.

Ainda assim, como esta posição passou a ser extremamente impopular, o que fez com que a discussão sobre a liberação dos jogos voltasse a progredir. Vale salientar que para o Governo Federal é extremamente vantajoso que ocorra a liberação dos jogos de maneira física no Brasil, como Nelson Duarte diz aqui:

“Tivemos alguns avanços em 2016 rumo à legalização, mas que não foram retomados em 2017 e 2018. Para o Governo Federal, é profícuo que as apostas sejam legalizadas, uma vez que a regularização implicaria que as empresas deverão pagar impostos para operar em território brasileiro”, comentou o consultor jurídico de Brasil Casinos.

Atualmente, a pauta para a liberação dos jogos conta com apoiadores de peso, como o atual presidente da república, Jair Bolsonaro, que tem interesse na presença de um cassino em Angra dos Reis, onde possui residência.

A liberação dos cassinos, que já está tramitando e ainda é pauta para muita discussão, prevê a liberação dos jogos em locais anexos a Resorts em grandes estâncias turísticas, incentivando a presença de estrangeiros, que ajudaria a movimentar a economia, por isso a questão conta com o apoio do Ministério do Turismo.

Com a liberação dos jogos, diversos postos de empregos seriam criados, a economia da região seria aquecida e com a presença de turismo mais dinheiro estrangeiro seria gasto em solo brasileiro, o que beneficiaria a população e também o poder público.

Por hora, só resta esperar para que a legalização e a regulamentação ocorram, o que não deve demorar, já que o Governo Federal busca incessantemente por uma alternativa que possa apresentar uma solução para a crescente crise econômica que se instalou no Brasil.

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