A Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) está fazendo um chamamento para inscrições no projeto Vida Após a Vida, que recebe doações de corpos para estudo científico na instituição. O número de interessados em doar foi quatro vezes maior que o comum nos últimos três meses.

Para se voluntariar, é preciso ter mais de 18 anos, como explica o professor do Departamento de Anatomia e Imagem e coordenador do programa, Humberto Alves. “Modelos artificiais e programas de computadores podem até ser formas complementares de estudo na anatomia, mas nada substitui o contato direto com o corpo humano”, diz. Ele destaca o caráter pedagógico da utilização dos corpos, muitas vezes o primeiro contato dos estudantes com um ser humano sem vida. Os cadáveres, inclusive, são usados em testes de novas técnicas medicinais.

Em um ano, a UFMG recebe, em média, 80 cadastros de doações de corpos para estudo científico. Ao todo, 320 estudantes da instituição precisam trabalhar com ao menos dois corpos inteiros por semestre, além de atender universitários dos demais cursos da área da saúde. Em 15 anos de existência, a ação garantiu 68 corpos a serem estudados em meio a 776 pessoas cadastradas.

Quem tem interesse em doar seu corpo deve marcar uma entrevista com os professores da UFMG pelo telefone (31) 3409-9739. As inscrições estão abertas o ano inteiro.

Passo a passo

Entrar em contato com a faculdade, que explicará os procedimentos de doação e como o cadáver será usado nas aulas de anatomia.

O doador assina um termo e ganha uma carteirinha com os contatos da universidade. Ele deve comunicar à família e alertar que, doado o corpo, não pode ser visitado.

A UFMG mantém plantão 24 horas para receber os corpos, que passam por tratamento de conservação. Se desistir, deve avisar a instituição.

Dúvidas e mitos travam as doações

Doando meu corpo não poderei doar meus órgãos? Não vou poder ter velório? Se for em algum hospital e descobrirem minha carteirinha de doador vão acelerar minha morte? Por tradição religiosa ou pela “proibição oculta” de falar da morte, a doação de corpo é cercada de mitos.

Humberto Alves destaca que o anonimato do doador é garantido. “As pessoas têm muitas dúvidas, mas estamos aqui para promover a saúde. Então, não existe isso de acelerar a morte de alguém ou não poder doar os órgãos se for doar o corpo. Aliás, primeiro nós damos preferência para a doação de órgãos”, explica.

 

Fonte: O Tempo Online ||

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