Escolas esquecidas, abandonadas pelo poder público, sem computadores e telefones, até mesmo sem biblioteca ou mesmo uma simples sala de leitura, em ambientes que condenam os alunos à desesperança e imobilidade social. Esse é o cenário identificado pelo Estudo Nacional das Escolas Rurais, trabalho contratado pelo Sistema CNA/SENAR e realizado pelo Ibope, Instituto Paulo Montenegro e Instituto CNA, para mapear a situação das unidades de ensino fundamental do interior do Brasil, que revela dados surpreendentes.
A pesquisa foi realizada em escolas multisseriadas de dez estados brasileiros (BA, DF, MG, MT, PA, PE, PR, RJ, RS e TO). Em cada uma das cinco regiões do Brasil foram escolhidos dois estados, aquele com o melhor resultado no IDEB e o que tem o pior resultado. Os dados obtidos são muito preocupantes. Cerca de 70% das escolas rurais não têm biblioteca e somente 32% têm banheiros adequados.
O cenário desolador vai além das condições físicas das escolas, envolvendo também a situação do corpo docente, índices de rendimento e baixas expectativas dos alunos. O emprego nas escolas garante, para 66% dos professores, no máximo, dois salários mínimos mensais. Em 50% das escolas não há diretor presente e, em 48% dos casos, não há coordenador, supervisor ou orientador pedagógico.
O estudo envolveu escolas com classes multisseriadas, ou seja, com crianças de várias idades e que estão em séries diferentes. A pesquisa identificou que, muitas vezes, o professor é obrigado a desempenhar múltiplas tarefas: além de ensinar, tem que limpar a sala e preparar a merenda. Na área rural, há quase seis milhões de alunos matriculados no ensino básico regular e aproximadamente 53 mil escolas, mas quase 50% delas têm só uma sala de aula. Em todo o Brasil, há 107 mil escolas e cerca de 53 milhões de alunos no ensino básico, somando as áreas urbana e rural.

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