Este espaço publica hoje a segunda parte da entrevista exclusiva do ex-craque do Atlético, Reinaldo Lima. Na edição passada, ele comentou sobre sua relação ?fria? com o clube nos dias de hoje. Agora, o eterno artilheiro atleticano comenta sobre pontos importantes de sua carreira e também sobre a postura dos jogadores de futebol ao longo das décadas.
Nova Imprensa: Se os famosos erros de arbitragem que teriam sido cometidos contra o Galo em 1980 e 81 se repetissem nos tempos de hoje, acredita que a revolta seria maior, por conta da TV?
Reinaldo: Os erros sempre existiram no futebol, sobretudo nas decisões, não acredito que teria alguma diferença não. Na época também teve pressão, mas infelizmente não conseguimos fazer nada.
NI: Você disse que a sua não-convocação para a Copa de 82 pode ter tido motivos políticos. Você acha que foi prejudicado em outras situações por seu pensamento ideológico?
Reinaldo: Com certeza, sempre sofri uma resistência por ter um pensamento político contrário. Até porque o país tem esse preconceito de jogador de futebol se posicionar politicamente, acham uma coisa estranha, errada.
NI: Como você conheceu essa linha de pensamento esquerdista?
Reinaldo: Conheci com o Frei Betto e com o Lula, em 1975, quando o Brasil começou a ter uma abertura política. Foi quando existiu um movimento em toda a sociedade, de todo o país para que as pessoas participassem mais da política, por causa da repressão da ditadura que existia naquela época.
NI: Ainda a mantém?
Reinaldo: Acho que todo mundo tem um pensamento socialista, todos querem a igualdade, uma redistribuição de renda, todos querem a cidadania, o respeito. Esse é o pensamento, não é nem tão ideológico, é algo mais natural mesmo, humano.
NI: Nas décadas de 70 e 80, houve uma politização do futebol ou foram apenas exemplos isolados como você e a democracia corintiana?
Reinaldo: Nem éramos tão politizados. Nessa época havia uma repressão grande, ninguém falava ou participava de política, não tinha partido, não tinha sindicato, ninguém sabia nada. Na verdade, éramos bem alienados. Hoje é que temos uma democracia plena, que se pode usufruir e muitos não aproveitam essa chance.
NI: Por que os jogadores de hoje não são politizados?
Reinaldo: Jogador não tem que fazer política, jogador tem é que jogar bola. Agora, se ele, como cidadão, quiser participar, pode participar, todos devem fazer a política a fim de beneficiar e ajudar sua categoria, mas a manifestação vai da pessoa, cada um participa e demonstra o seu engajamento de um jeito.

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