Quando o assunto é criança, um rápido descuido pode causar problemas sérios aos pais e familiares, como a perda da guarda do filho. O alerta é da coordenadora Especial de Política Pró-Criança e Adolescente, Fernanda Martins, que também é presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente.
De acordo com Fernanda, muitos pais nem sabem que cometem esse tipo de crime. ?Algumas famílias não têm noção do que é negligência e, muitas vezes, elas também se encontram em situação de negligência e apatia social?, acrescenta.
De acordo com dados de uma pesquisa recente sobre crianças abrigadas, negligência é o principal crime que leva uma criança para um abrigo. O estudo, inédito no país, foi feito pela Fundação João Pinheiro (FJP), a pedido da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) e detectou 4.730 crianças e adolescentes em 352 abrigos, em 178 cidades. A pesquisa também constatou que 18,45% estavam nos abrigos por motivo de negligência dos pais ou responsável.
Negligência e abandono aparecem em segundo lugar no ranking de denúncias recebidas pelo Disque Direitos Humanos (0800 31 1119) no primeiro semestre deste ano (495). Só o crime de violência física intrafamiliar (565), registrou mais denúncias do que negligência e abandono.
Fernanda Martins é assistente social e mestre em psicologia pela PUC. Sua dissertação de mestrado teve como foco a negligência: Crianças Negligenciadas: a Face Invisível da Violência Doméstica. ?Uma das características de uma criança negligenciada é a apatia social, pois ela passa a não se comunicar. A criança clama pela família, mas, como não tem resposta, acaba se isolando?, explicou a coordenadora.
Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, que completou 19 anos nesta segunda-feira (13), Art. 5º: Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. ?É uma das piores formas de violência porque é a omissão da família. É como a criança deixasse de existir, passasse a ser um objeto?, explicou Fernanda.
A coordenadora ressalta que é importante desvincular a pobreza da negligência. ?Existem crianças de classe média que também sofrem com esse crime. A pobreza pode agravar, mas não é motivo para uma criança ser negligenciada?.
A população mineira deve denunciar qualquer forma de violência contra crianças e adolescentes pelo Disque Direitos Humanos: 0800 31 1119.
Alguns sinais de atos de negligência contra a criança são: desnutrição, desidratação, problemas na pele, geralmente são crianças sujas e famintas, timidez e dificuldade de comunicação.

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