No retorno do recesso parlamentar nesta segunda-feira (3) foi instaurada na Câmara de Formiga a ?CPI da Saúde?. Dos 10 vereadores, seis assinaram o documento, justamente os integrantes do famoso G6 (Grupo dos 6): Reginaldo Henrique dos Santos/PCdoB; Cid Corrêa/PR; José Geraldo da Cunha/PMN, José Gilmar Furtado/DEM, Edmar Ferreira/PT e o líder do governo Eugênio Vilela/PV.
O denunciante foi o vereador Cid Corrêa. Ele apresentou documentos e denúncias de alguns casos de pacientes que enfrentam problemas para conseguirem atendimentos na área da saúde. ?De forma alguma estamos julgando a seriedade do prefeito ou da secretária. Mas estou cansado de ser procurado por moradores para reclamar dos problemas na saúde […] Ficou parecendo uma CPI pessoal do Dr. Reginaldo contra a secretária de saúde, mas hora nenhuma essa CPI é pessoal? , garante Cid. Ele confirma que serão punidos os culpados em caso de se encontrar algo errado ?doa a quem doer? .
O petista Edmar Ferreira, que antes tinha retirado sua assinatura, resolveu voltar atrás e alegou que, se os defeitos da secretária de saúde são o excesso de ?integridade e competência?, como ouviu de funcionários da secretaria, então não haveria problemas em se fiscalizar a pasta, já que garantem que não vão encontrar nada de errado.
O líder do governo na Câmara Eugênio Vilela ressaltou: ?Assino quantas CPIs forem necessárias, desde que tenha um objeto concreto? .Ele enfatizou que, o fato de assinar não quer dizer que coloque em dúvida a competência de ninguém e que se o Executivo achar incompatível a assinatura dele com a liderança, que deixa a vontade para a administração escolher se ele permanece ou não como líder do governo. ? Tenho que defender o interesse do povo, não posso fugir da minha responsabilidade […] Não estou do lado do Dr. Reginaldo e contra a Prefeitura de Formiga, estou do lado da Câmara? , ponderou.
Dr. Reginaldo endossou que a CPI é um remédio amargo que o Executivo precisa tomar e garantiu que será uma CPI técnica e não política, que não acabará em pizza. Segundo o presidente, será contratada uma empresa para acompanhar tecnicamente a CPI da Saúde e informou ainda que vai cobrar, via ofícios, respostas do Ministério Público e do Tribunal de Contas de Minas Gerais sobre as outras duas CPIs realizadas em Formiga.
O presidente do Legislativo ainda mandou um recado para a administração municipal: ?Se alguém perseguir o João do Povo [João Gonçalves, vice-presidente do PCdoB e funcionário da Prefeitura] vamos encaminhar ao Ministério Público. Estou avisando ao Executivo? , disparou. Ele salientou que a CPI é um instrumento de fiscalização e não de perseguição.
Gonçalo Faria/PSB reafirmou que não assinaria o documento e argumentou que se for uma CPI do ponto de vista técnico será bem vinda, se tiver fundo político vai trazer atrasos para o desenvolvimento de Formiga. Mauro César/PMDB também confirmou que não iria assinar, mesmo vendo a CPI como um instrumento legal de fiscalização e ressaltou que respeitava a opinião dos colegas. Rosimeire Mendonça (Meirinha/PMDB) também manteve seu posicionamento desde o início e não assinou o documento.
O vereador Moacir Ribeiro, líder da bancada do PMDB, antes disse que assinaria, mas mudou de ideia depois de conversar com muitas pessoas. Ele disse que deu a palavra a algumas pessoas que não assinaria. Entretanto, destacou que se for nomeado ou sorteado para fazer parte da comissão não se furtaria. ?Isso aí é mais um alerta para o Executivo para valorizar os companheiros? , argumentou Moacir.
A CPI será presidida pelo vereador Mazinho e o relator será o Cid Corrêa. Os objetos de investigação seriam: a gestão da saúde em Formiga com base em três focos: os contratos que essa gestão está ou não fazendo com a Santa Casa e o porquê; a gestão de pessoal (recursos humanos) e a gestão de metas.

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