Um comentário reservado do futuro presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, anima e preocupa seus colegas de corte ao mesmo tempo. O relator do mensalão, que assume interinamente o tribunal hoje, e definitivamente na quinta-feira, disse a seus pares que pretende dar mais celeridade aos trabalhos do tribunal e, por isso, terá um estilo diferente de seu antecessor, Carlos Ayres Britto, que costumava ouvir o plenário em praticamente todas as decisões que tomava.
Para Barbosa, Ayres Britto, de quem é amigo, teve um estilo mais assembleísta de comandar o tribunal. Já ele pretende decidir diretamente todos os casos que o cargo autorize, sem necessidade de discutir o tema no plenário. Durante o julgamento do mensalão, o relator queixa-se de ações de colegas que atrasaram os trabalhos. Para o ministro, é preciso ser mais objetivo.
Colegas de Barbosa avaliam que tudo que ele fizer no sentido de acelerar os trabalhos do Supremo será muito bem-vindo e vai ajudar a melhorar a imagem do tribunal.
Por outro lado, alertam que o futuro presidente deve tomar o cuidado de criar um ambiente ruim. Lembram que, na Corte, todos têm peso igual. Cada ministro vale somente um voto.
Ministros argumentam que a ação de Barbosa terá que ser cuidadosa para ele não sair frustrado, uma vez que o plenário pode reverter facilmente medidas monocráticas.
Primeiro negro a comandar a mais alta Corte do país, Barbosa terá mandato de dois anos. Ele assume também a presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

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