A carência absoluta de profissionais de saúde afeta 455 municípios brasileiros, de acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (Cnes), do Ministério da Saúde. Nessas localidades, não há registro de nenhum médico, enfermeiro e agentes de saúde. A crise, tida como global, afeta principalmente as regiões Nordeste, Sudeste e Sul do país, onde se concentram 75,6% dos casos. Para suprir a falta, o Ministério da Saúde é obrigado a gastar com o transporte intermunicipal e o custeio do tratamento em municípios vizinhos. O problema é um entre os inúmeros a serem resolvidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que neste ano completa 20 anos de existência.
A quantidade de médicos no Brasil é considerada razoável ? 1,15 por mil habitantes ?, principalmente em comparação a 57 países, como Gâmbia, El Salvador e México, que integram levantamento da Aliança Global para a Força de Trabalho em Saúde, no qual o nível é considerado crítico, por estar abaixo de um trabalhador para cada porção de mil habitantes. Apesar disso, algumas especialidades têm índices considerados aquém do adequado e há muita dificuldade de contratação para hospitais públicos e privados.
Para debater problemas, criar alternativas e difundir propostas para a realidade de cada região, especialistas de todo o mundo estão em Ouro Preto, até dia 26. Na abertura do congresso, sábado, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que, ?em alguns setores, a criação de ferramentas possibilita a substituição do ser humano pela máquina. Na medicina, quanto mais desenvolvida a tecnologia, mais qualificado deve ser o recurso humano para operá-la?.

Levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 500 hospitais do país mostra que a demanda por três categorias é considerada alta, mas faltam profissionais. No Sudeste, 30,3% dos hospitais têm muita dificuldade em contratar anestesiologistas, 32,5% pediatras e 31% psiquiatras. Segundo o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Francisco Campos, o problema está relacionado à falta de vontade dos trabalhadores em atuar em municípios isolados e em regiões de conflito em capitas como o Rio. No encerramento do encontro, quarta-feira, os membros da Aliança Global para a Força de Trabalho em Saúde vão conhecer experiências de BH, considerada referência pelo ministro Temporão no Programa de Saúde da Família (PSF).

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