O surto de febre amarela que atinge várias cidades do Estado reduziu drasticamente o movimento em hotéis e pousadas nas regiões até agora mais afetadas pela doença em plenas férias. Tradicionais redutos de descanso e lazer em Minas, os municípios de Nova Lima, Mariana e Brumadinho sofrem diretamente os efeitos da expansão da enfermidade.

Enquanto alguns estabelecimentos dessas cidades registram apenas 20% de ocupação, outros tiveram até 100% de cancelamento das reservas após o aumento no número de casos, de dezembro do ano passado pra cá.

As confirmações da doença subiram de 22 para 47 em uma semana e a maioria das notificações é na Grande BH e região Central.

Em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foram registrados, até o momento, três casos de febre amarela, com uma morte. Segundo a gerente de uma pousada em Casa Branca, distrito do município, que pediu para não ter o nome divulgado, a procura pelas reservas teve uma queda vertiginosa a partir do início de janeiro, quando o volume de ocorrência da doença assustou.

“Até o Réveillon, a pousada estava cheia. Depois da febre amarela, a queda foi expressiva, cerca de cinco cancelamentos por dia. Em auge das férias, das 26 suítes que possuímos, apenas cinco estão ocupadas. Mesmo com a crise dos últimos anos, nunca passamos por uma situação tão difícil no nosso estabelecimento”, afirma.

A gestora da hospedaria confirmou que todos os clientes que tinham efetuado as reservas foram notificados dos riscos de contrair a doença na região. O estabelecimento também passou a cobrar comprovante de vacinação dos hóspedes.

No caso da Tiô Isolda Artes & Hospedaria, também em Casa Branca, o impacto foi ainda pior. Segundo a proprietária Isolda Maciel, o aumento dos casos, associado ao temor dos clientes em visitar a região, acarretou em 100% do cancelamento das reservas desde o início do ano, período em que tradicionalmente a taxa de ocupação seria elevada.

Entretanto, a dona do estabelecimento acredita que as campanhas de vacinação promovidas pelos municípios e pelo governo estadual e o maior esclarecimento da população em relação à prevenção da doença estão dando fôlego à procura por reservas para a festa de Momo.

“Tem gente nos procurando para o Carnaval. As pessoas estão se conscientizando sobre a febre amarela e a importância da vacina. Houve um alarde exagerado em cima disso”, diz.

Mariana 
No município de Mariana, a 116 quilômetros da capital, os desdobramentos dos casos de febre amarela também são sentidos. A cidade histórica é a que mais registrou casos da doença no Estado. Até o momento, foram nove infectados, com quatro mortes.

Segundo Maria Amélia Fernandes, proprietária da Pousada da Chácara, muitos clientes têm desistido de se hospedar em Mariana com receio de contrair a doença.
“Ao contrário dos outros anos, janeiro está muito devagar. Há um temor dos clientes em virtude dos casos de febre amarela. No momento, só tenho 20% dos quartos ocupados. Para o Carnaval, mesmo abaixando o preço, a procura está fraca”, lamenta.

Macacos 
Em Macacos, distrito de Nova Lima, cidade que já registrou seis mortes em decorrência da doença, a queda no fluxo de hóspedes também preocupa empresários da hotelaria, como explica Claydson Rocha, um dos sócios proprietários da pousada Recanto do Chalé.

“Deu uma diminuída na procura por causa da febre amarela. Está um pouco abaixo do que esperávamos para a época. Normalmente, nesse período a demanda seria bem maior”, afirma.

ABIH
Em relação ao impacto dos casos de febre amarela para a rede hoteleira, o diretor da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), Diogo Alves da Paixão, afirma que a diminuição da procura justamente nas férias ocorre só em lugares pontuais, onde há maior ocorrência da doença. “O turista tem evitado o risco de contágio. Mas isso não acontece nos grandes centros. Essa diminuição das reservas ocorre exclusivamente nos locais de risco”, afirma.

 

Na contramão, setor em BH espera ocupação recorde no carnaval

Diferentemente da queda no movimento nos hotéis e pousadas nas regiões afetadas pela febre amarela, o otimismo toma conta da rede hoteleira de Belo Horizonte.

Com uma boa expectativa para a festa de Momo, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Minas Gerais (ABIH-MG) espera alta de 15% no número de hóspedes em relação ao ano passado. A taxa de ocupação deve ficar, em média, na casa dos 50%. Alguns estabelecimentos chegam ao índice de 75%. Para quem nessa época costumava ver a cidade se esvaziar anos atrás, o avanço é bem positivo.

Esperamos recorde de ocupação na hotelaria de BH neste Carnaval”, afirma o diretor administrativo da ABIH-MG, Diogo Alves da Paixão.
E para garantir que a hospedagem seja inesquecível e que renda frutos para outras épocas do ano, os hoteis da capital investem para melhorar a experiência de quem optou por estar na capital mineira durante o feriado.

Com as promoções, os foliões têm fechado pacotes com antecedência. “Estamos garantindo uma diária de cortesia para os foliões que ficarem no hotel por dois ou três dias”, afirma a coordenadora de reservas do Hotel Ouro Minas, Aline Araújo.

O estabelecimento também optou por deixar a festa de Momo invadir a área dos hóspedes. Em um dos dias do feriadão, haverá um bailinho de Carnaval. DJ e uma área exclusiva para as crianças são os diferenciais do evento.

“O Carnaval vem proporcionando uma grande mudança na nossa cidade. É hora de investir e garantir uma estadia especial”, diz Aline.

Mimos
Alguns hotéis resolveram mimar os foliões e conquistá-los pelo estômago. No Ramada Encore Minas Casa, os hóspedes terão o horário de café da manhã estendido até às 11h. Itens adicionais para combater a ressaca foram incluídos nas refeições que terão um cardápio pensado exclusivamente para quem vai pular o Carnaval.

O Ramada ainda vai disponibilizar uma maquiadora nos horários de saída para os blocos. “Queremos oferecer todo o suporte para que os hóspedes saiam do hotel preparados para a folia e queiram voltar porque sabem da estrutura que oferecemos aqui”, diz o gerente Moisés Correia.

Já na hora da reserva, os hóspedes ficam sabendo da mordomia e se animam ainda mais para a festa. “Eles se surpreendem com as possibilidades e sempre elogiam as ações”, diz o representante do hotel.

Imprimir

Fonte:

Hoje em Dia