A cada dia, uma pessoa morre por febre amarela em Minas. A média é baseada em números do período de monitoramento, que vai de julho de 2017 a junho de 2018.

O primeiro óbito aconteceu em 31 de dezembro em Brumadinho, na região metropolitana, e, desde então, a doença foi fatal para 36 pessoas. Com os casos que ainda estão em investigação por exame laboratorial, as mortes podem chegar a 49 em breve.

O avanço da enfermidade chama a atenção. Na semana passada, eram 25 óbitos para 47 casos notificados, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES). Em uma semana, os registros saltaram 72%, totalizando 81 notificações, sendo que as mortes tiveram alta de 44%.

Para a infectologista Silvia Hees de Carvalho, a alta letalidade da doença tem muitas explicações. Uma delas é o fato de a febre amarela acometer partes importantes do corpo, como fígado, coração e rim, o que faz com que o quadro evolua para uma situação mais grave de forma rápida.

“Além de a doença ser tão grave, não podemos esquecer que, em uma epidemia como agora, vários casos leves não são identificados porque a pessoa nem sempre procura o médico. Como são os mais graves que chegam aos hospitais, é esperado que um percentual alto deles evolua para óbito”, explica.

Em alerta

Em Nova Lima, na Grande BH, cidade até agora com maior número de óbitos em Minas, a preocupação é geral. Mesmo com a cobertura vacinal acima do recomendado pelo Ministério da Saúde, ainda há quem busque imunização nos postos.

A profissional do lar Beatriz Duarte, de 36 anos, demorou a se preocupar. “Vi muitas vezes notícias do surto e agora resolvi procurar pela dose”, conta. A taxa de mortalidade a fez buscar proteção. “Quem pega, tem muitas chances de morrer. Melhor vacinar e evitar, né?”, completa.

De acordo com a Prefeitura de Nova Lima, só neste ano, 13 mil moradores se vacinaram. Na semana passada, a Secretaria de Saúde do município ampliou o horário dos postos para atender a quem ainda não tinha tomado a dose. Com as ações, a cobertura alcançou 96%.

Receio

Público mais afetado pela doença, homens acima de 47 anos temem pelo pior e, por isso, já garantiram a imunização antes mesmo dos casos e mortes. O mecânico industrial Romero Brasilino Corrêa, de 62 anos, assustou-se ainda mais quando a enfermidade atingiu um conhecido.

“Morador de um bairro vizinho, primo de um amigo, contraiu a doença e ficou internado em estado grave. Quanto mais perto estão os casos, mais a gente se preocupa”, afirma. Já imunizado, ele passou as informações à frente e alertou amigos que ainda não haviam tomado a dose.

O enfermeiro aposentado Celso Firmino, também morador da cidade, deu o exemplo e se vacinou há anos. “Se a vacina já estava disponível, porque esperar as mortes para ir atrás?”, questiona o idoso de 72 anos. Ele reafirma a preocupação geral de todos em Nova Lima. “Todo mundo está comentando. Com certeza estamos temerosos com os casos”, relata.

Além Disso

Depois de alcançada a taxa recomendada de vacinação, a Prefeitura de Nova Lima passa a focar no combate ao mosquito Aedes aegypti, que transmite a febre amarela em áreas urbanas, além de ser o vetor de dengue, zika e chikungunya.

Apesar de todos os casos registrados na cidade serem em área rural e transmitidos pelo mosquito Haemagogus no ciclo silvestre, a intenção é evitar que o ciclo se desenvolva nesses locais.

Após um fumacê que rodou bairros da cidade com alta incidência do mosquito, a ação agora é incentivar os moradores a fazerem uma limpa em casa e dispensar itens que poderiam acumular água.

A aposentada Dagmar Gonçalves da Mata, 73, e a filha Carolina Gonçalves, 31, resolveram descartar um tanque antigo que não era mais usado pela família.

“Já tivemos dengue aqui em casa e, com os recentes casos de febre amarela, nos preocupamos em verificar novamente a casa”, explica a idosa.

A ação de recolhimento de itens que podem acumular água em Nova Lima vai até este sábado. Dez veículos circulam pela cidade fazendo a coleta dos materiais.

Na última campanha do tipo, a prefeitura conseguiu recolher 13 toneladas de materiais que poderiam servir de criadouros do mosquito. Cerca de 15 bairros serão atendidos por dia.

 

Fonte: Hoje em Dia ||

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