Uma “brincadeira” de extremo mau gosto, cujo objetivo é dar uma rasteira em um dos participantes enquanto ele pula, tem assustado médicos, pais e responsáveis de crianças e adolescentes. A prática, que pode provocar sequelas e até matar, tem ganhado destaque nas redes sociais nesta semana.

O tema retornou à tona em todo o país após a divulgação de vídeos de pessoas “brincando” em escolas. Em novembro do ano passado, uma adolescente de 16 anos, de Mossoró (RN), morreu após participar da brincadeira. À época, Emanuela Medeiros foi levada a um hospital com traumatismo craniano, foi atendida, mas não resistiu. 

De acordo com Wagner Lemos, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, regional Minas, o ato é grave devido à forma da queda e o local que pode ser lesionado.

“Se o trauma ocorrer no crânio, o paciente terá um Trauma cranioencefálico (TCE), com limitação de movimentos e perda da sensibilidade. Se for na região cervical (pescoço), haverá dano à coluna medular, que fará a pessoa perder o movimento dos braços (paraplegia) ou dos braços e pernas (tetraplegia)”, explicou. 

Emanuela Medeiros morreu após participar de “brincadeira” em novembro de 2019 (Foto: Reprodução/ Redes Sociais)

Segundo o especialista, é importante relembrar que essas brincadeiras envolvem não apenas crianças e são ainda piores quando há o consumo de álcool. “Nosso trabalho também foca em campanhas de prevenção contra acidentes em geral, em piscinas, envolvendo brincadeiras e ingestão de bebidas. Não é incomum encontrarmos nos pronto-socorros de BH pessoas com traumas graves oriundos desses atos”, disse.

Lemos ainda reforça ser “extramente importante” conscientizar a população. “De maneira nenhuma isso é engraçado. É grave e pode gerar morte, como gerou”.

Diálogo é solução

O engenheiro de produção Antônio Afonso Alves, de 50 anos, é pai de um garoto de 13. Para ele, a “brincadeira” é especialmente preocupante porque pode ocorrer nas escolas, em um período em que os adolescentes costumam ser influenciados pelos colegas.

Antônio e o filho, Vinícius Afonso (Foto: Arquivo pessoal)



“Em uma tentativa de se encontrarem, de saberem onde eles se enquadram ou se adaptam nos grupos, eles acabam, por vezes, indo ‘na onda'”, disse. O contra-ataque a essa realidade vem com diálogo aberto e franco sobre essa e outras questões.

“Assim que recebi o vídeo ou mesmo quando recebo outros, que ridicularizam pessoas, mostro imediamente ao meu filho e o oriento sobre os assuntos”, complementou Antônio, que é morador do bairro Nova Gameleira, na região Leste da capital.

 

Fonte: Hoje em Dia ||
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