A polêmica sobre o fechamento da Indústria Química Santa Rita voltou à tona e virou caso de polícia. Em 14 de maio deste ano, a redação do jornal Nova Imprensa e do portal Últimas Notícias divulgou em primeira mão que a empresa havia paralisado suas atividades e que a sede administrativa da Química Santa Rita havia sido transferida para São Paulo, onde se encontrava em processo falimentar, buscando a ajuda da Justiça.
A produção continuava a ser feita no município, mas a empresa passava por um momento delicado, pois estava em tramitação em São Paulo um processo de recuperação judicial para evitar a falência da empresa.
Na época, o secretário de Desenvolvimento Econômico e Parcerias, Paulo César Rodrigues da Costa (Paulinho da Fidalga) explicou que a transferência da sede para São Paulo não transferia o pagamento dos impostos para lá e que não haveria prejuízos ao município.
Questionado se a direção da empresa havia procurado o Executivo para explicar a situação da indústria e o motivo da paralisação, o secretário informou que isto não ocorrera. Segundo Paulinho, a administração municipal é que havia tentado por diversas vezes contato com os acionistas da Química Santa Rita desde que se soube da paralisação das atividades, mas somente conseguiam falar com os gerentes da empresa aqui em Formiga e nunca com a diretoria em São Paulo. Dias depois da reportagem, no dia 28 de maio, alguns representantes da Indústria Química Santa Rita se reuniram com o prefeito Aluísio Veloso/PT para prestarem esclarecimentos sobre o fechamento da empresa.
Mas o que a administração municipal não sabia era que estava lidando com ?gente inescrupulosa?, como avaliou, posteriormente, o secretário Paulo César.
Acionista da empresa é detido tentando pegar máquinas penhoradas
Um dos acionistas da Indústria Química Santa Rita, Elimárcio de Bastos Belchior, foi parar na delegacia esta semana. O caso começou na sexta-feira passada (3) quando uma camionete de cor escura teria chegado à sede da empresa, por volta das 23h e, segundo o delegado Renato Alves da Fonseca, que responde pelas pastas de crimes contra a vida e de crimes contra o patrimônio, houve uma tentativa de furtos a duas máquinas. Entretanto, os seguranças da empresa dispararam tiros contra os ocupantes da camionete, não sabendo informar quantos eram.
De acordo com o delegado, um dos seguranças disparou quatro tiros e o outro cinco. As armas foram apreendidas e o caso será investigado, pois não se sabe se os seguranças tinham portes de armas.
O caso não parou por aí e, conforme Renato Fonseca, na segunda-feira (6), dois indivíduos comparecem à sede da Química Santa Rita e apresentaram um documento dizendo que tinham notas fiscais de duas máquinas (empilhadeiras) alegando que tinham ordem para retirá-las do local.
Renato Fonseca disse que, entretanto, quando foram feitas verificações, descobriu-se que as máquinas estavam penhoradas por ordem Judicial e, assim, eles não podiam levá-las. Ao que a redação do jornal Nova Imprensa e portal Últimas Notícias apurou, as empilhadeiras estavam penhoradas pela Justiça do Trabalho para dívidas trabalhistas.
O secretário de Desenvolvimento Econômico e Parcerias, Paulo César da Costa, foi chamado pelos seguranças e acionou a Polícia Militar para fazer o Boletim de Ocorrência. Em uma pesquisa no sistema, identificou-se que um dos envolvidos, Elimárcio de Bastos Belchior, tinha mandado de prisão em seu desfavor.
Paulo César acionou a Justiça do Trabalho e um oficial apreendeu as máquinas que estavam sob a guarda de um funcionário da empresa, na condição de ?fiel depositário?, que foi chamado a comparecer ao local. O veículo contratado para levar as empilhadeiras também foi apreendido e as máquinas levadas para o pátio do Socorro Jajá.
O representante da maioria das ações da Química Santa Rita, que chegou pilotando uma BMW vermelha do último modelo, foi detido. Os envolvidos no caso foram conduzidos à delegacia para a lavratura da ocorrência. Por volta das 20h de segunda-feira, os envolvidos, representando o município, empregados da empresa e o fiel depositário foram dispensados e Elimárcio Belchior recolhido nos ?aposentos da Pensão da Dona Justa?, em razão da existência de mandado de prisão, em seu desfavor.
Segundo o delegado Renato Fonseca, a Polícia Civil está investigando a suposta tentativa de furto e os disparos com as armas de fogo, procedência das armas, se elas têm registro, se os vigias têm porte de armas de fogo. O delegado disse também que vai apurar se Elimárcio Belchior é o mesmo que esteve na empresa na noite de sexta-feira.
Relebrando
Coincidência ou não, outro caso aconteceu muito parecido com a tentativa de furto na Química Santa Rita. No dia 22 de julho, a Polícia Militar foi acionada a comparecer à empresa por volta de 00h30. O vigilante contou que, aproximadamente às 23h55 do dia 21, chegaram dois veículos na empresa, sendo uma moto preta e um Golf roxo. Ao receberem ordem de parada, os suspeitos atiraram contra o vigilante, que foi atingido no ombro direito. O empregado revidou a agressão e disparou contra os indivíduos, mas eles fugiram, tomando rumo ignorado.
Outros casos de ?golpes?
Ao ser consultada a ficha do representante da empresa, a polícia constatou que contra ele havia na delegacia de Itaobim (Norte de Minas), um mandado de prisão. Na cidade, por ordem da Justiça do Trabalho, o inquérito contra o representante da empresa o enquadra nos crimes de fraude de execução, furto e desobediência civil.
A reportagem apurou também que no estado do Ceará, conforme matéria publicada no jornal Diário do Nordeste, ele e outros diretores da empresa Equus Agroindustrial S/A não cumpriram com o acordo com a Escola Técnica Federal de Igatu, que cadastra agricultores com a finalidade de fazer melhoramento genético em animais para serem utilizados pelos produtores no serviço de preparação da terra (tração) e condução de gêneros e pessoas.
A Escola Técnica assinou contrato com a Equus para fins de construção de um centro de melhoramento genético dos jumentos com o cruzamento entre as raças Pega e Andaluz e a preservação da espécie. Segundo o Diário do Nordeste, a empresa ?recebia os animais apreendidos pelo Dert e repassou para o abatedouro de Santa Quitéria cerca de 500 jumentos. Contudo, não sabia que estes animais estavam sendo destinados ao abate e comercialização da carne?.
Ainda segundo a reportagem do Diário do Nordeste, tomando conhecimento do abate de animais para a venda da carne para a empresa Friboi, a Eafi suspendeu o contrato com a Equus, pois o contrato firmado era para um fim diverso do que estava sendo utilizado. A Eafi se disse ?enganada? pela empresa, comandada pelo mesmo Elimárcio Bastos Belchior, que agora tentou ?enganar? a Prefeitura de Formiga. A Equus, após responder a pelo menos meia dúzia de processo propostos pela Eafi, encerrou suas atividades sendo que, conforme a Eafi ?o diretor presidente da empresa, Elimárcio Bastos Belchior e outros diretores, evadiram-se. Tomaram rumo ignorado, deixando o prefeito de Santa Quitéria – um dos mais interessados no projeto – e os empregados da empresa, a amargar muitos prejuízos?.
Devolução do terreno
Na tarde desta quinta-feira (9) a redação entrou em contato com o secretário Paulo César Costa buscando esclarecimentos sobre o caso. Ele disse que teve a informação de que Elimárcio Belchior já estava solto e que ele teria trazido à cidade uns oito advogados para cuidar do caso. O secretário disse que o Executivo não entrou em contato com ele e nem com outro representante da empresa pelo fato de o caso estar sendo investigado pela polícia.
Paulinho disse que o município já havia pedido a devolução do terreno, em junho, no Cartório de Registros de Imóveis, pois o processo de recuperação judicial da empresa havia sido negado e, desde então, não conseguiram falar com os acionistas em São Paulo.
Questionado sobre como avalia o caso, o secretário enfatizou ?eu acho um fato lamentável, a gente fez um projeto bacana e foi cair nas mãos de gente inescrupulosa?. Ele disse que o terreno volta para o município com as benfeitorias e que ainda não pensou no que fazer com a devolução do terreno, talvez dar continuidade ao projeto, com gente séria. Se conseguir rápido a devolução do terreno o secretário acredita que consegue até mesmo reerguer a empresa, com gente responsável.
Sobre o insucesso da empresa, ele atribui à má gestão, agravada pela crise econômica que assolou o país recentemente.
Com a devolução do imóvel ele volta a ser da Prefeitura com todas as benfeitorias feitas, como construção do imóvel, terraplanagem, entre outras.

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