Pouco mais de um dia depois de cobrar explicações da Fifa, a CBF recebeu uma resposta da entidade no que diz respeito à atuação da arbitragem no empate em 1 a 1 entre Brasil e Suíça no domingo (17), na estreia das seleções na Copa do Mundo.

Também em uma carta, a Fifa, em suma, defendeu o árbitro de vídeo, informou que todos os lances da partida foram analisados pelo sistema de vídeo-arbitragem (VAR) e alegou que as decisões tomadas foram corretas – inclusive, no gol marcado por Zuber e no suposto pênalti em cima de Gabriel Jesus.

Além disso, a entidade se recusou a entregar os áudios da comunicação entre a cabine do VAR e o mexicano César Ramos, árbitro responsável pelo confronto. E justificou que o acesso ao conteúdo das conversas iria expor a privacidade da arbitragem, o que contraria as regras.

O documento foi assinado por Pierluigi Colina, diretor do departamento de arbitragem da Fifa, e Zvonimir Boban, secretário-geral-adjunto. Procurada, a entidade brasileira se disse satisfeita com o desfecho do assunto.

Na carta endereçada ao presidente da Fifa na segunda-feira (18), a CBF solicitou esclarecimentos em relação ao cumprimento do protocolo do VAR e questiona a razão pela qual a tecnologia não foi utilizada, segundo as palavras da CBF, nos dois episódios-chave da partida.

  • “Minuto 50: na ação, que levou ao gol suíço, é evidente que o jogador brasileiro Miranda foi claramente empurrado e deslocado pelo autor do gol, Zuber. Zuber puxa Miranda deliberadamente em duas diferentes ocasiões com as duas mãos. A segunda ocasião é mais clara, porque os corpos dos dois jogadores estão mais distantes. A ação caracteriza uma falta clara, que resultou numa vantagem para Zuber, pois Miranda foi incapaz de alcançar a bola. O árbitro não marcou falta, e Zuber fez o gol decisivo”.
  • “Minuto 74: falta cometida pelo zagueiro da Suíça Manuel Akanji sobre o atacante brasileiro Gabriel Jesus, a qual, tendo sido cometida na área, teria causado um pênalti a favor do Brasil, mas não foi assinalada. Gabriel Jesus, que controlava a bola na área da Suíça numa clara oportunidade de fazer o gol, foi agarrado, também com as duas mãos, por Akanji, que o derrubou e portanto cometeu um pênalti claro. O árbitro, no entanto, não interveio e deixou o lance seguir”.

 

Confira a carta na íntegra (tradução livre)

Caro Mr. Infantino,

Nós fazemos referência ao jogo 9 da Copa do Mundo, disputado entre Brasil e Suíça (…)

Após análise da CBF, gostaríamos de chamar sua atenção para certos episódios-chave da partida, que notamos após revisão feita por nosso departamento técnico, em particular, a respeito da conduta do árbitro Cesar Ramos e do assistente de vídeo, Paolo Valeri.

Os episódios são os seguintes:

  1. a) Minuto 50: na ação, que levou ao gol suíço, é evidente que o jogador brasileiro Miranda foi claramente empurrado e deslocado pelo autor do gol, Zuber. Zuber puxa Miranda deliberadamente em duas diferentes ocasiões com as duas mãos. A segunda ocasião é mais clara, porque os corpos dos dois jogadores estão mais distantes. A ação caracteriza uma falta clara, que resultou numa vantagem para Zuber, pois Miranda foi incapaz de alcançar a bola. O árbitro não marcou falta, e Zuber fez o gol decisivo.
  2. b) Minuto 74: falta cometida pelo zagueiro da Suíça Manuel Akanji sobre o atacante brasileiro Gabriel Jesus, a qual, tendo sido cometida na área, teria causado um pênalti a favor do Brasil, mas não foi assinalada.

Gabriel Jesus, que controlava a bola na área da Suíça numa clara oportunidade de fazer o gol, foi agarrado, também com as duas mãos, por Akanji, que o derrubou e portanto cometeu um pênalti claro. O árbitro, no entanto, não interveio e deixou o lance seguir.

Essas duas ações consitutem, na opinião da CBF, erros claros do árbitro que, portanto, deveriam ter sido analisados pelo VAR, de acordo com o protocolo do VAR.

Por outro lado a CBF sabe que, de acordo com o protocolo estabelecido pelo IFAB (International Board) e pela FIFA, é do árbitro de campo a decisão final se uma jogada deve ser revista ou não e se recomendação do VAR deve ser seguida ou não.

Igualmente, a CBF sabe que o VAR tem que informar o árbitro de campo sobre as ações passíveis de revisão, municiando-o com todos os fatos e recomendando a decisão a ser tomada.

Trecho da carta da CBF à Fifa (Foto: reprodução / CBF)

Considerando o que foi falado acima e sob a luz do fato de que o VAR foi recentemente introduzido ao nível internacional, e é normal que certos esclarecimentos sejam fornecidos nos primeiros estágios da implementação nesta nova tecnologia, a CBF respeitosamente gostaria de ser informada sobre:

  • I – Mr. Valeri, ou alguma outra pessoa do VAR, sugeriu ao árbitro rever algum dos lances e como?
  • II – O árbitro, ou alguém com poder para tal, pediu ao VAR para analisar os lances?
  • III – Em qualquer um desses casos, como foi a comunicação entre as duas partes?

A CBF gostaria de dividir com a Fifa sua crença firme numa implementação apropriada e efetiva da tecnologia do VAR. Com isso em mente, a CBF respeitosamente pede que sejam fornecidos o vídeo e o áudio do VAR, de maneira a verificar o que realmente aconteceu.

Por fim, a CBF soube por notícias na imprensa que o Comitê de Arbitragem da Fifa teria dito que as decisões da arbitragem nas jogadas previamente citadas foram corretas e não haveria a necessidade de revê-las com o uso do VAR.

A esse respeito, CBF gostaria de receber uma posição oficial sobre esse assunto e, uma vez fornecida essa posição, reserva todos os seus direitos de comentar, também na luz de que possíveis jogadas possam ser revistas ao longo desta competição.

Obrigado pela atenção acima e ficamos no aguardo por uma resposta.

Sinceramente,

Confederação Brasileira de Futebol
Mr. Rogério Caboblo
Chefe de Delegação”

 

 

Fonte: G1 ||

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