Seu Lúcio é a prova de que torcedor, independentemente do lugar onde esteja, vai sempre carregar o clube do coração. Nascido em Nova Lima, ele passou por diversos orfanatos em BH até se aventurar, já adulto, na Floresta Amazônica. A distância só aumentou a paixão pelo Cruzeiro. No hostel que administra, na cidade de Novo Airão, às margens do rio Negro, as cores azul e branca predominam.

“É algo meio surreal. Numa cidade tão pequena, em meio à floresta, há um senhor cego completamente apaixonado pelo Cruzeiro. Ele ouve todos os jogos e criou uma espécie de santuário no local. A vida de Seu Lúcio é pensar no Cruzeiro”, observa Gustavo Nolasco, um dos realizadores do curta-metragem “Azul Escuro”, ao lado dos colegas do coletivo Memória Celeste, Leo Souza, Bruno Mateus e Guilherme Guimarães, este último repórter setorista do Cruzeiro no Hoje em Dia.

Exibição

O filme de 25 minutos terá estreia no próximo dia 27, em sessão fechada para os cerca de 300 doadores que participaram com recursos por meio de financiamento coletivo. “Somos mais ligados em contar histórias dos torcedores cruzeirenses. E ficamos loucos com essa história de Seu Lúcio, que foi descoberta por um torcedor chamado Vitor Berlim, após ele se hospedar no hostel”, registra Nolasco.

O coletivo, que já tinha lançado, em 2017, “Eterno, um Capítulo Incontestável”, sobre os 20 anos da partida que detém o recorde de público do Mineirão (Cruzeiro x Villa Nova, na final do Campeonato Mineiro) fez o filme sem contar com nenhum tostão do clube, usando os R$ 37 mil arrecadados em crowdfunding e recursos de alguns patrocinadores, além de ter botado a mão no próprio bolso. 

A falta de dinheiro foi um dos motivos para a produção parar na mesa de edição por vários meses, devido aos altos custos para a compra de direitos de imagens de jogos antigos. “Entre idas e vindas, levamos mais de um ano. Vendo-o pronto agora, o meu sentimento é de que realizamos um sonho, imortalizando um amor tão bonito quanto o de Seu Lúcio pelo Cruzeiro”, assinala.

Do coração

Aos 66 anos, o personagem escuta os jogos e passa todos os detalhes para um computador, adaptado para quem tem deficiência visual. “É uma forma de dar vazão à paixão dele, iniciada quando garoto, ao ver em ação a geração de Piazza e Tostão”, afirma Nolasco. Casado, Seu Lúcio fez os três filhos torcerem para o Cruzeiro. Há dez anos, parou de enxergar, por causa de um glaucoma.

Os realizadores ainda não sabem qual será a carreira de “Azul Escuro” após a sessão fechada. Com “Eterno, um Capítulo Incontestável”, eles participaram do Cinefoot, festival especializado em obras audiovisuais sobre futebol. Segundo Nolasco, foi a primeira produção sobre o Cruzeiro a ser exibida lá. “É uma alegria levar o nome do Cruzeiro para um lugar que não estava. Esperamos repeti-la neste ano”.

 

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Fonte:

Hoje em Dia