São recorrentes os relatos de pessoas que negligenciam as manifestações de neoplasias cutâneas ou neoplasias dermatológicas por falta de informações e porque seus sintomas, em geral, são brandos e causam pouco ou nenhum incômodo.

Entretanto, em um país tropical, em que há incidência de luz solar durante todo o ano e com altas temperaturas no verão, é fundamental estar em alerta: o contato direto com raios nocivos, além de causar o envelhecimento precoce, amplia em até dez vezes o risco do desenvolvimento de câncer de pele, variação mais incidente da doença entre brasileiros. Para se ter uma ideia, estima-se a ocorrência de 183.390 novos casos da enfermidade neste ano, o que corresponde a 30% dos diagnósticos de tumores malignos registrados no país, conforme estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca). 

Do total, 176.940 dos novos casos correspondem aos cânceres de pele basocelular e espinocelular, considerados menos agressivos e com menos chances de metástase, e 8.450 são casos de melanoma, mais agressivo e potencialmente metastático. Ainda de acordo com o Inca, em termos de mortalidade, 2.329 brasileiros morrem por complicações de tumores considerados menos perigosos, enquanto 1.791 vão a óbito por conta do tipo mais invasivo. Ou seja, 43% das mortes por tumores cutâneos acontecem por conta do melanoma, embora esse tipo de câncer de pele represente apenas 4,5% das ocorrências. “Em quaisquer casos, o melhor caminho é o da prevenção e da vigilância ativa”, crava a oncologista Carolina Cardoso, do Grupo Oncoclínicas, salientando que uma das principais ferramentas para reduzir a mortalidade pela doença é a informação. 

Campanhas educativas são essenciais 

“No Brasil, somos acostumados, até culturalmente, a pensar que pegar sol faz bem, é saudável. Com a pandemia, muito se falou sobre a importância para a sintetização da vitamina D e para fortalecimento imunológico. Algo que foi muito falado até mesmo como forma de prevenção em relação a manifestações mais graves da Covid-19. Mas isso é muito controverso e é preciso ter cuidado”, sustenta a oncologista Carolina Cardoso, lembrando que há também o hábito de só se usar filtro solar em situações de lazer, e não rotineiramente, como é recomendado. 

Rachel Guerra de Castro, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional de Minas Gerais (SBD-MG), concorda. “Os benefícios (da exposição à luz do sol) são os mesmos relacionados às atividades ao ar livre: sensação de prazer, melhora do humor e do sono, fortalecimento do sistema imune e síntese de vitamina D, que é importante para regular o metabolismo ósseo. Mas a gente precisa estar muito atento, porque, em excesso, teremos consequências, entre elas o câncer de pele”, analisa. Para reforçar que a exposição prolongada aos raios solares não é benéfica, a dermatologista lembra que mesmo as pessoas com deficiência de vitamina D precisam se expor no máximo 15 minutos ao sol e apenas três vezes por semana para a síntese do nutriente. Ela ainda lembra que, nesse caso, a orientação é que a pessoa pegue sol em partes do corpo que não ficam fotoexpostas de forma recorrente. 

A presidente do SBD-MG lembra que a entidade realiza a campanha Dezembro Laranja há 30 anos, mas, pela primeira vez, mutirões de atendimento não acontecerão por conta da pandemia do novo coronavírus. “Em Minas Gerais estamos ampliando muito as iniciativas educativas. No ano passado, conseguimos incluir a campanha na programação de aulas para crianças da rede municipal de Belo Horizonte. No próximo ano, vamos voltar a estabelecer essa parceria, falando sobre os cuidados em relação ao sol”, pontua, lembrando que, geralmente, a maior parte da população fica exposta aos raios ultravioletas principalmente na infância e adolescência. 

Fonte: Hoje em Dia

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