Um apartamento de luxo na Barra da Tijuca, uma das regiões mais nobres do Rio de Janeiro, parecia o esconderijo perfeito para o megatraficante mais procurado de Minas Gerais. No entanto, o império de Marcelo José de Moraes Pinto, o Marcelo Bozó, de 41 anos, caiu anteontem, depois que o imóvel de alto padrão foi invadido pela Polícia Federal (PF) de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, que prendeu o suspeito.
No apartamento ocupado pelo homem, que vivia cercado de poder e riqueza e que é apontado pela PF como o traficante mais atuante e influente em Minas, foram apreendidos mais de R$ 1 milhão em dinheiro, muitas joias – entre elas, um cordão de 305 gramas de ouro avaliado em R$ 30 mil – cinco aparelhos celulares, um notebook, 200 dólares e 160 g de cocaína. Um carro com o valor de mercado superior a R$100 mil também foi apreendido.
De acordo com a PF, Marcelo Bozó já é condenado a mais de 70 anos de prisão por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, e estava foragido da Justiça mineira desde 2006, quando teria escapado do Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) de Juiz de Fora. Para chegar ao traficante, a polícia teve que focar nos passos dados pelo suspeito. Por um momento, nós deixamos de lado a base operária da organização criminosa para atacar a coordenação e o seu poder financeiro, explicou o delegado federal Humberto de Mattos Brandão.
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Segundo o delegado, Marcelo Bozó era responsável por abastecer grandes traficantes de Juiz de Fora, de Barbacena e de Ubá, na Zona da Mata, além de outros de Belo Horizonte, do Rio de Janeiro e de São Paulo. Marcelo é um traficante que não vende a varejo. Ele articula uma enorme rede e distribui a droga por atacado, repassando os entorpecentes em maior quantidade para outros traficantes, informou Humberto Brandão.
No apartamento onde Bozó foi preso, os policiais federais encontraram também um balanço contábil que revelou o envolvimento do suspeito com a manipulação de insumos utilizados no refino de cocaína. O material apreendido mostra que ele adquiria grandes quantidades de acetona e éter para a produção da cocaína em larga escala, destacou o delegado.
A operação de recaptura de Marcelo Bozó, no Rio de Janeiro, contou com oito policiais federais e as investigações teriam durado cerca de um mês. Bozó acreditou que não chegaríamos até ele, porque é um traficante de grande poder financeiro e se utiliza de laranjas para proteger o patrimônio e se esconder, contou o investigador.
Ainda, de acordo com a PF, o suspeito é considerado uma lenda em Juiz de Fora. Ele é aquele traficante que não ?senta? na droga, como se diz no jargão policial. Ele faz a movimentação e é blindado pelos outros, concluiu Humberto Brandão. Além de ter mandado de prisão em aberto, Bozó foi autuado em flagrante por tráfico de drogas.

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