A pandemia da Covid-19 que, desde o mês de março de 2020 assola o Brasil e antes disso já aterrorizava moradores da Europa, criou um mundo paralelo, informal, que foge ao controle de autoridades públicas e sanitárias e termina por boicotar todo trabalho realizado para frear a propagação do vírus. Do outro lado, no mundo formal, recaem todas as consequências e restrições, concebidas oficialmente como sendo inibidoras de novos casos da Covid-19.

No mundo informal, o que se vê são festas clandestinas, aglomerações protegidas pelos muros das casas, enquanto do mundo formal, se exige o fechamento de comércios, de escolas e se proíbe o trabalho de artistas provocando demissões e falências e, pior ainda, lotação próxima do limite nos leitos clínicos e de UTIs.

Essas duas realidades são evidentes e, se uma delas, a informal, não for extinta, a batalha contra a Covid-19 e, em especial contra o alto número de mortes provocadas pela doença poderão persistir por muito tempo. Apesar da chegada da vacina ser festejada, sabemos que a vacinação ocorrerá em etapas.

A má notícia é que estamos há um mês de mais um feriado prolongado, o de carnaval e, ainda que, em Formiga, aos moldes da capital mineira, não seja decretado ponto facultativo, se em cidades da região, ou mesmo do Estado, o feriado ocorrer, ainda que sem festas oficiais, por estarmos à beira do lago de Furnas, resultados negativos poderão ser sentidos por aqui, no número de doentes e nas consequências do aumento de casos. Situações já ocorridas na região comprovam esta possibilidade.

“Coronados de Escarpas”

De acordo com reportagem do jornal Estado de Minas, publicada no dia 6 de janeiro, uma lista com nomes de infectados pela Covid-19 em Escarpas, Capitólio, no Sul de Minas Gerais, está rodando no WhatsApp.

Chamada de “Coronados”, a lista foi criada como forma de identificar contaminados e repercutir a disseminação do vírus. Local escolhido pela maioria dos jovens de 18 a 25 anos, a região paradisíaca e luxuosa foi palco de festas, com muita aglomeração e sem nenhum tipo de proteção.

Na mesma reportagem, três jovens entrevistados, disseram que o local escolhido para a despedida de 2020 estava tomado por pessoas vindas de todo o Estado e que, por lá, o desrespeito às normas sanitárias era regra. Isto provocou  a contaminação e consequente disparada de casos entre os participantes e, sem dúvidas, entre familiares que, mesmo sem se exporem, ficaram à mercê da irresponsabilidade de quem frequentou tais festas.

“Pancadões” em Furnastur

Em entrevista ao Últimas Notícias, o presidente da Associação dos Moradores e Amigos de Furnastur (Amafurnas) Jésus Nazareno Martins, disse há poucos dias que tem sido árdua a luta para evitar as aglomerações no local que faz parte da zona urbana de Formiga, em especial na avenida George Norman Kutowa, conhecida como rua da Manga ou rua do pé de manga.

Ali, até o mês de outubro foram realizados vários “pancadões”, organizados por meio de redes sociais, por pessoas que sequer possuem residências no balneário.

Interrupção de rua, música alta, uso intenso de bebidas e drogas e atos libidinosos em via pública se tornaram parte da rotina que obrigou os moradores das mais de 800 casas do Furnastur, e das mais de 160 famílias que moram no balneário a conviverem com o problema.

“Fizemos reuniões com o Ministério Público e Polícia Militar e, desde então os pancadões não mais ocorreram, mas então passamos a conviver com festas realizadas nas casas do condomínio que são alugadas para turistas”, comentou o presidente da Amafurnas.  Atualmente ele tenta, junto aos associados, buscar formas de notificar os proprietários das residências onde ocorrem as aglomerações. “Já encaminhei ao Ministério Público a lista de casas onde é mais recorrente o problema e vamos acionar os locadores e/ou locatários, a partir da lei que regula punições para quem perturba o sossego de vizinhos”, afirmou.

Nos últimos dias de 2020, mais uma vez, por meio de redes sociais, era planejado um novo pancadão que ocorreria na mesma avenida durante a virada do ano.  As conversas (postagens) foram printadas e encaminhadas para a Polícia Militar e, dessa vez, os planos de realizar algazarra foram frustrados.

Aglomeração no píer do rio Turvo

Mesmo após a disparada de casos na região que enfrentou nesta semana a onda mais restritiva do programa Minas Consciente, no sábado passado (9), uma nova aglomeração foi registrada no píer próximo à ponte do Rio Turvo.

Em imagens feitas no local e enviadas ao Últimas Notícias é possível observar a presença de pessoas de todas as idades, desde crianças até idosos que caminham pelo local sem máscaras e desrespeitando as normas de distanciamento.

Evolução dos casos

Durante os dias em que Formiga permaneceu na “Onda Vermelha”, provocando manifestações por meio de carreatas e das redes sociais de dezenas de comerciantes da cidade, o registro de casos não parou de subir. No curto período entre os dias 9 e 13 de janeiro foram registradas 86 novos casos e três óbitos e 94 novos casos suspeitos foram  notificados

O que fazer?

Diante da possibilidade das coisas se agravarem por aqui, logo após o período de folga, em razão do carnaval que, apesar de estar cancelado e não mais contar com o tradicional apoio e investimentos dos governos municipais é possível supor que a região, possuidora do maior atrativo turístico do mundo: ÁGUA, infelizmente, poderá assistir no entorno de Furnas, um enorme contingente de pequenos “blocos carnavalescos”, composto por familiares e amigos que, isoladamente, em milhares de residências, sem máscara ou fantasia, promoverão reuniões que, em tempo de  pandemia, não deveriam ocorrer.

Como evitar que isto ocorra e obrigue o poder público, estadual ou municipal a mais uma vez enquadrar o município na temida Onda Vermelha que, além de indicar que vidas foram ou ainda poderão ser ceifadas por aqui, de quebra, anuncia o aprofundamento do vale que abriga problemas econômicos e sociais, os quais surgem sempre com o fechamento das atividades que sustentam nossa economia?

É preciso mobilizar

Uma grande campanha de sensibilização de nossa população precisa ser divulgada, e já!  

É necessário convencer a todos de que a vocação turística da cidade, precisa se adaptar à esta nova exigência pois, não há como controlar a possibilidade de transmissão do vírus que, provavelmente, acompanhará a muitos daqueles que, vindos de fora, aqui aportarão no tal “feriado prolongado”.

Fechemos nossas portas. Serão três ou quatro dias de prejuízos sentimentais ou financeiros, mas assim agindo, certamente nos livraremos de males muito maiores. É difícil, mas necessário. Fechemos nossas casas e mantenhamo-nos  rígidos na obediência às normas sanitárias que hoje nos são impostas.

Álcool em gel, uso de máscaras (não as carnavalescas) e distanciamento apropriado. Três recomendações simples a serem observadas. Sem elas, saibamos que muitos de nós, provavelmente, não tenhamos sequer a chance de aguardar a vacina que está a caminho!

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