O governo de Minas adotou o Protocolo de Manchester como instrumento de triagem na saúde. Assim, os usuários que procurarem atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de todo o Estado devem ser recepcionados de forma diferente.
O método ajuda a identificar a real necessidade de um usuário que recorre às UBS, relatando alguma doença aguda. Com ele, a atenção estará focalizada nos casos que exigem atendimento mais rápido e não mais na ordem de chegada do paciente.
O objetivo principal é definir o papel das Gerências Regionais de Saúde (GRS) na capacitação dos profissionais que atuarão nas UBS. Segundo o secretário de Estado de Saúde, Antônio Jorge Souza Marques, as gerências de saúde serão co-responsáveis no processo de capacitação dos profissionais. A capacitação será realizada a distância pelo Canal Minas Saúde, mas a avaliação será presencial nas GRS.
O secretário explicou que a intenção é tornar o protocolo a linguagem de todo o sistema de saúde mineiro. ?O protocolo facilitará a estruturação da rede e o encaminhamento do usuário. A nossa meta é que todo o atendimento realizado seja baseado na necessidade real do usuário, e não mais na ordem de chegada?, ressalta.
Funcionamento
O protocolo é um método de abordagem dos pacientes que recorrem ao serviço de saúde. Com ele, o paciente, assim que chegar à UBS será encaminhado a uma sala de triagem onde um enfermeiro ouvirá sua queixa inicial. Em seguida, este profissional definirá qual a sua gravidade clínica e a qual especialidade ele deverá ser encaminhado.
Para realizar esta avaliação, o profissional deverá seguir os procedimentos indicados no protocolo. Estes procedimentos são linhas guias que permitem estabelecer qual o tempo de espera máximo de um paciente, de acordo com o seu quadro clínico. Este tempo varia com a gravidade da queixa relatada.
A cor vermelha significa emergência e tem atendimento imediato; a laranja indica casos muito urgentes e prevê atendimento em 10 minutos; o amarelo significa urgente e prevê que o paciente pode esperar por no máximo 1 hora o atendimento médico; já o verde e o azul são considerados casos de pouca urgência e prevê 2 horas e 4 horas de espera, respectivamente.

Protocolo já foi testado em Formiga, mas não será implantado por enquanto

O Protocolo de Manchester já foi testado em Formiga na gestão passada. Segundo o secretário municipal de Saúde em exercício, José Tourinho Lima, esse protocolo é patenteado pelos portugueses e, em Formiga, foi praticado de forma experimental, insipiente, como ressalta o secretário que, no Estado, também está sendo insipiente, muito experimental.
O protocolo prevê o acolhimento do doente que está em situação de risco. De acordo com Tourinho, esse acolhimento ao doente é feito pelo pessoal da recepção, ?e a recepção tem que ter gente treinada para isso, tem que ter um profissional médico e uma equipe de enfermagem capacitados para diagnosticar isso, para saber o que é grave e o que não é. É muito complexo realmente?, comenta.
Questionado sobre o porquê de o protocolo ter sido interrompido em Formiga, o secretário respondeu: ?no momento não deu resultado e eu acho que eles não aplicaram tudo que o protocolo pedia. É complicado isso aí, imagina, o cara chega lá traumatizado você vai lá esse cara vai pra cá ou vai pra lá, que responsabilidade que ele vai ter. acha que pode esperar, vai que morre esperando?.
José Tourinho explica que o protocolo não seria implantado em Formiga de imediato. Ele ressalta que o município conta com uma Pronto Atendimento Municipal (PAM), porque Pronto Socorro é uma unidade mais complexa. ?Pronto Socorro tem que ter equipamentos mais sofisticado e mais profissionais. Tem que ter um neurocirurgião, um pediatra, clínico 24 horas. Aqui, na região, não temos nenhum Pronto Socorro, o mais perto que tem é Divinópolis?.
O secretário justifica que talvez o Protocolo de Manchester poderia ser implantado juntamente com a construção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA). ?Nós estamos tentando, o prefeito Aluísio está envidando todos os esforços, para colocar uma UPA, é uma unidade um pouco melhor do que o PAM, porque você tem que ter um Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência] acoplado, então seria bem interessante isso aí?, esclarece.
O que está emperrando a obra, segundo Tourinho, é o Samu, porque a UPA só pode trabalhar acoplada ao Samu, mas ele garante que isso já está sendo resolvido. ?O Samu é muito complexo também, tem que ter médico 24 horas, pra ser socorrista, tem que ter uma base para ele de comunicação, tem que ter um médico regulador?. O secretário informa que na última reunião que tiveram com representantes da Saúde do Estado, no mês passado, ficou mais ou menos resolvido essa questão e que vai haver uma nova reunião em junho para terminar de decidir isso. A questão agora depende do Ministério da Saúde e do Estado.
José Tourinho confirma que, por enquanto, o município não vai fazer a adesão ao Protocolo de Manchester, vai depender de várias questões do Estado. A intenção é aguardar a implantação da UPA, já que para isso precisa de mais profissionais e espaço físico.

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