Em pelo menos cinco cidades mineiras, a escolha do novo secretariado virou um negócio de família. Em Formiga, Arcos, Cachoeira da Prata, São Gonçalo do Pará e Uberlândia, os prefeitos escolheram irmãos, filhos e mesmo primeiras-damas para ocupar importantes cargos do primeiro escalão.
Os cinco casos se juntam às nomeações de parentes ocorridas em Montes Claros, Bom Despacho, Contagem e Manga, já noticiadas por O TEMPO na última segunda-feira.
Em Formiga, nem mesmo a pouca idade foi empecilho para que Débora Brás Almeida, de 25 anos, fosse escolhida para assumir a Secretaria de Desenvolvimento Social de Formiga. Ela é filha do vice-prefeito da cidade, Eduardo Brás Neto Almeida/PSDB.
A justificativa dada pela prefeitura para a nomeação foi o trabalho desenvolvido por Débora em outro órgão do município. Apesar disso, a administração municipal não soube informar que função foi essa.
Outro argumento, segundo a assessoria de comunicação de Formiga, foi a não-interferência do vice-prefeito na indicação da filha.
A opção por Débora teria partido do próprio prefeito eleito, Moacir Ribeiro/PMDB.
Débora não é a única da família do vice-prefeito Eduardo Brás a conseguir um cargo na Prefeitura. Seu irmão, Bruno Montarroios Neto Almeida, foi nomeado secretário de Desenvolvimento Econômico.
Quem também lucrou com a eleição do marido foi Paula Araújo. Casada com o prefeito eleito em Arcos, Roberto Alves/PCdoB, ela foi escolhida secretária de Integração Social do município.
Alves justificou, também no dia em que anunciou os nomes do primeiro escalão, que sua mulher teria experiência suficiente para assumir o posto. O termo confiança já fala tudo, e, se tem alguém em quem eu confio, é a minha esposa, declarou, ressaltando que Paula ocupou o mesmo cargo na década de 90.
Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, o recém-empossado prefeito, Gilmar Machado (PT), nomeou como secretária de Governo sua mulher, Rosângela Paniago.
A principal alegação apresentada pelo petista no dia em que anunciou seu secretariado foi a atuação de Rosângela na campanha eleitoral de 2012. Na mesma ocasião, a primeira-dama argumentou se enquadrar em um perfil de liderança e competência.
Em Cachoeira da Prata, na região Central, a situação é ainda mais curiosa. Das oito secretarias, nada menos do que três são comandadas por parentes do novo prefeito, Murcio José Silva (PP), e de sua vice, Sandra Tavares (PR).
A filha do chefe do Executivo, Adriana Moreira da Silva, foi nomeada secretária de Governo, enquanto a pasta da Fazenda está sob o comando de Moredson Moreira, que é irmão do prefeito. Já o setor de educação é administrado por Silvana Maria Tavares, irmã da vice-prefeita.
O fato se repete em São Gonçalo do Pará (Centro-Oeste). O eleito Toninho André (PDT) escolheu também para a Secretaria de Educação sua irmã Maria do Carmo Guimarães.
Lei não encerra debate sobre nepotismo
Apesar de a nomeação de parentes para cargos de primeiro escalão ser permitida pela Súmula Vinculante 13 do Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador da República em Uberaba, no Triângulo Mineiro, Thales Cardoso afirma que a autonomia não encerra a discussão sobre nepotismo.
O STF vem confirmando seu entendimento reiteradas vezes, mas isso não impede que na, esfera judicial, o Ministério Público Federal tente mudar esse entendimento superior, declara.
Na última sexta-feira, o procurador da República enviou recomendação às prefeituras pedindo que evitem a prática de nepotismo nas administrações municipais. (IL)

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