A propagação de vírus e bactérias no inverno é favorecida com as baixas temperaturas, o que aumenta a incidência da meningite. Durante todo o ano, os casos podem ocorrer, mas, na estação seca e fria, a população deve redobrar os cuidados para evitá-la.
As meningites são inflamações nas membranas que cobrem o sistema nervoso central (as meningites). Podem ser causadas por vários microorganismos, como bactérias, fungos, vírus e parasitas, além de alguns agentes não infecciosos. A bactéria Neisseria meningitides (meningococo) é um dos agentes que causa mais preocupação, por apresentar grande incidência de mortalidade. A infecção pelo meningococo pode manifestar-se de várias formas, inclusive provocando sequelas.
Os sinais da doença meningocócica são: febre, dor de cabeça intensa, vômitos, prostração e convulsões. Essa é a forma mais preocupante da doença e pode evoluir para a meningococcemia, ainda mais grave e que manifesta-se como uma infecção generalizada (septicemia) ,com manifestações hemorrágicas, podendo levar ao óbito em menos de 24 horas.
As crianças menores de dois anos pertencem ao grupo com mais facilidade de contrair a doença. A transmissão da meningite pode acontecer por meio do contato íntimo, configurado, principalmente, entre moradores do mesmo domicilio, que compartilham com a pessoa infectada o ambiente, alimento, copos e talheres sem a devida higienização, ou ainda pelo contato direto com secreções respiratórias (gotículas de saliva, espirro e tosse). O portador da doença para transmiti-la, não precisa estar necessáriamente doente, pois pode ser assintimático.
Em Minas já está disponível em todos os postos de saúde, desde novembro de 2009, a vacina contra a meningite C, para as crianças com menos de dois anos, integrando o calendário vacinal do estado. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde em Minas Gerais (SES-MG), a estratégia adotada para a vacinação segue o modelo do Reino Unido, em que as crianças menores de um ano ganham dose dupla, e, posteriormente, um reforço; já as maiores de um e menores de dois, recebem uma dose. A intenção da Secretaria é estender a vacina para crianças de até 5 anos até 2014.

Imunização
A imunização da meningite C representa um grande avanço para saúde da população incidindo, inclusive, na redução dos riscos que a doença representa. A coordenadora estadual de Imunização, Tânia Brant, ressalta que a vacina é muito importante com a proteção contra essa que é uma das formas mais graves da doença. ?A vacina possui aproximadamente 95% de eficácia. Ela gera imunidade celular e oral, assim, além de ficar protegido, quem toma a vacina deixa de transmitir a doença? , concluiu.
Segundo ela, é importante ressaltar que a vacina protege apenas contra o sorotipo C, por isso é fundamental adotar medidas de prevenção comuns para as doenças respiratórias em geral: boa nutrição, cuidados rigorosos de higiene, principalmente para crianças, conservar os ambientes arejados, ensolarados e evitar aglomerações, manter o calendário vacinal atualizado e adotar as medidas de quimioprofilaxia, quando indicadas.
Entre 2006 e 2008, foram notificados e investigados três surtos de doença meningocócica no Estado. Todos os três foram causados pelo meningococo do sorogrupo C. O primeiro ocorreu em 2006, no município de Muriaé, na Zona da Mata, onde foram registrados 22 casos. O segundo, em 2007, atingiu o município de Sete Lagoas, quando foram confirmados, numa mesma semana, três casos de meningite meningocócica também pelo sorogrupo C. Em 2008, novo surto ocorreu no município de Fronteira, região do Triângulo Mineiro, onde foram confirmados nove casos de doença meningocócica. Em todos os três surtos foi necessária a realização da vacinação de bloqueio para as populações sob maior risco de adoecer.

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