A Casual Auditores Independentes, empresa de auditoria especializada em clubes de futebol, acaba de revelar dados preliminares relacionados às receitas dos clubes Brasileiros em 2008. O ranking das receitas dos clubes Brasileiros segue o mesmo critério de análise que os quatro anos anteriores, onde figuram clubes que atinjam uma receita bruta anual mínima.
Entre os clubes que disponibilizaram seus relatórios e contas, no topo da tabela tal como nos anos de 2007 e 2006, continuam o São Paulo na 1ª posição com R$ 160,6 milhões e o Internacional em 2º com R$ 142,2 milhões. Existem algumas alterações em relação ao ano anterior no final da tabela, com a entrada da Portuguesa de Desportos no lugar do Juventude de Caxias do Sul.
Os 21 clubes com maiores receitas do futebol brasileiro geraram receitas totais no valor de R$ 1,400 milhões (494,2 milhões de Euros), representando uma evolução de 69% nos últimos 5 anos. A média de receitas gerada pelos clubes na amostra atingiu os R$ 67,5 milhões, enquanto no exercício de 2004 era de R$ 39,9 milhões.
O crescimento em relação ao ano de 2008 foi de 6,1%, sendo que 13 clubes aumentaram as suas receitas e 8 apresentaram uma redução. Os maiores responsáveis pelo aumento dos valores foram o Palmeiras, Portuguesa, Flamengo, Fluminense, Coritiba e Cruzeiro (confira o infográfico).
Em 2008, os valores gerados na venda de atletas, que é a grande fonte de receitas dos clubes no Brasil, diminuíram. No entanto, o aumento das receitas de outros setores conseguiu ainda assim aumentar os valores totais. Esse aumento nas receitas restantes é consequência direta da melhoria das arrecadações de bilheteira, modalidades amadoras, patrocínios, quotas e direitos TV.
Segundo a Casual Auditores, o mercado brasileiro de clubes de futebol pode encerrar o exercício de 2014 (após a Copa) com receitas no valor de R$ 2,800 milhões (cerca de 988,4 milhões de Euros).
Este resultado pode ser atingido através do aumento das receitas de exploração da marca dos clubes, maximização das receitas dos novos estádios e conteúdos de mídia, através dos torcedores e empresas patrocinadoras, projetos de marketing e exploração de novas tecnologias.
Apenas seis fecham ?no azul?
O número de transferências para o exterior no ano passado foi recorde, com 1.176 atletas deixando o país. Mas isso não significou cofres mais cheios para os clubes. O faturamento com venda de jogadores caiu 13% de 2007 para 2008, passando de R$ 454 milhões para R$ 397 milhões.
Mesmo com a diminuição da principal fonte de recursos, os clubes brasileiros conseguiram faturar mais. De R$ 1.336 bilhão, a receita passou a R$ 1.418 bilhão em 2008.
A explicação é o crescimento das outras principais fontes. A maior contribuição veio das bilheterias, que tiveram um aumento de 46% em um ano (de R$ 107 milhões para R$ 156 milhões). Os clubes com maior evolução nesse quesito foram Palmeiras, Corinthians, Flamengo, Cruzeiro e Fluminense. As cotas de televisão também tiveram crescimento (de R$ 294 milhões para R$ 340 milhões) e encostaram-se à primeira colocação das fontes de recursos. No ano passado, a TV representou 24% do total, contra 28% das vendas de jogadores. Em 2007, as porcentagens foram 22% e 34% respectivamente.
O aumento da receita, no entanto, não livrou a maioria dos clubes de terminarem o ano no vermelho. Foi o caso de 15 dos 21 clubes analisados. O Corinthians foi o que conseguiu o maior superávit: R$ 10,8 milhões. Barueri, São Paulo, Figueirense, Coritiba e Portuguesa foram os outros cinco que conseguiram faturar mais do que gastar. O Vasco, que teve o maior déficit em 2008, apresentou um balanço surpreendente em maio. A Casual Auditores também fez uma análise à parte do departamento de futebol de cada clube. A primeira conclusão é óbvia: quem investe mais tem resultados melhores.
Ainda assim, Grêmio e Cruzeiro renderam bem mais do que concorrentes mais endinheirados – casos de Flamengo, Palmeiras e Inter. No outro extremo, a maior decepção foi o Santos. Com um investimento no futebol próximo ao dos tricolores gaúchos, o clube brigou contra a degola. O Vasco foi rebaixado mesmo com mais recursos do que Botafogo, Coritiba, Vitória e Atlético/MG, que tiveram melhor sorte no último campeonato nacional, mantendo-se na elite.
Galo é intruso no ?G4 carioca?
Assim como dentro de campo, a situação carioca fora das quatro linhas vai muito mal. Das cinco maiores dívidas do futebol brasileiro, quatro pertencem a clubes do Rio de Janeiro. O Vasco ocupa a primeira colocação, com quase R$ 378 milhões. O Flamengo vem logo atrás, com R$ 333 milhões, sendo seguido pelo Fluminense (R$ 320 milhões). O Botafogo está na quinta colocação (R$ 265 milhões), atrás do intruso Atlético/MG, que acumula uma dívida superior a R$ 283 milhões.

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