Quanto mais ímãs com telefone de revendedoras de gás de cozinha pregados na geladeira, melhor. Está anunciada a queda-de-braço entre distribuidoras e revendedoras do gás liqüefeito de petróleo (GLP). No meio do ringue, o consumidor conta com a pesquisa e o poder de barganha para pagar preço mais justo e fugir dos reajustes. Segundo a Associação Mineira de Revendedores de Minas Gerais (Asmig), as cinco distribuidoras atuantes no mercado mineiro ? Liquigás, SHV, Nacionalgás, Ultragás e Copagás ? aumentaram entre R$ 0,50 e R$ 2 o valor do botijão de 13 quilos, normalmente usado nas casas. O reajuste ocorreu também no cilindro de 45 quilos, mais comum em condomínios.
O presidente da Asmig, Alexandre Borjali, afirma que, a princípio, a justificativa foi a alta do diesel. Em efeito cascata, os 8% de aumento no valor do litro do combustível teria impactado os custos de frete das distribuidoras. ?Há 10 dias, o botijão subiu para os revendedores e foi essa a explicação?, diz. Em todo o estado, o botijão varia de R$ 32 a R$ 34 para a venda no local e de R$ 33 a R$ 40 para a compra programada por telefone. A variação significativa impede calcular o aumento percentual médio.
?Esse repasse também foi feito em escala, por região, e as companhias aumentam gradativamente o preço?, acrescenta Borjali. Independentemente das causas do reajuste, o setor de revenda se sente prejudicado e pressionado. O Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, recentemente, veio a público dizer que a Petrobras não iria aumentar o preço do gás de cozinha. ?Mas, subindo o diesel, sobe tudo e nós, que estamos em contato direto com a população, somos coagidos a amortecer esse gasto, porque concorremos com clandestinos?, completa.
Um revendedor que atua na Região Noroeste, recebe da Ultragás e preferiu não se identificar confessa estar tratando a situação caso a caso. ?Se o comprador não reclamar, repasso o aumento, senão quebro.?, justifica. O empresário acusa ainda as distribuidoras de privilegiarem o mercado clandestino, abastecido pelos atacadistas: ?No atacado, a distribuidora aumentou só R$ 0,50?.
Outro revendedor que também optou pelo anonimato promete não repassar o aumento, de R$ 2, praticado pela Copagás. Ele compara a relação entre distribuidoras e revendedores a um casamento. ?Depois que a gente coloca a aliança no dedo, eles relaxam. Se cobramos um preço melhor ou ameaçamos reduzir o pedido, ficamos sem fornecedor.? O comerciante se refere à dificuldade encontrada pelas revendas para migrar de distribuidora em função dos contratos.

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