Baixar o aplicativo Caixa Tem para ter acesso ao saque emergencial do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e se deparar com a informação de que o CPF (Cadastro de Pessoa Física) já foi cadastrado é mais uma das fraudes digitais que alguns brasileiros estão enfrentando.

A representante de vendas Adriana Lombardo foi uma das vítimas deste golpe. Ao colocar o CPF no Caixa Tem, foi informada de que já havia uma conta em seu nome. Ao pedir uma nova senha, constatou que o e-mail cadastrado não era o seu, impedindo que entrasse no aplicativo por não ter a senha.

Para tentar solucionar o problema, Adriana foi a uma agência da Caixa e descobriu que o valor de R$ 1.045 liberado de sua conta foi sacado por outra pessoa em um caixa eletrônico na Praia Grande, litoral de São Paulo.

A instituição disse que abriu uma contestação ao saque no dia 22 de setembro e que em 10 dias úteis o caso seria solucionado, mas Adriana segue sem a resolução do seu problema até o momento. Adriana afirma que vai à agência uma vez por semana desde então e sempre recebe a mesma resposta: que seu caso está em análise. A representante de vendas também fez reclamações na Ouvidoria do banco e no Reclame Aqui.“Alguns funcionários que me atenderam falaram que há casos que faz dois meses que [a vítima] está aguardando”Adriana Lombardo

O advogado Paulo Massi também enfrentou o mesmo problema com o saque emergencial do FGTS. Um amigo o alertou sobre o golpe e, então, Massi decidiu realizar o cadastro para evitar ser uma das vítimas. Para sua surpresa, seu CPF já estava cadastrado, juntamente com um e-mail que desconhecia.

“Liguei para a Caixa, na Central de Atendimento e disseram que não podiam fazer nada [por telefone]”, afirmou Massi, contando que o próximo passo é ir até uma agência da instituição para tentar solucionar a questão. Na hora do cadastro, o Caixa Tem pede informações como CPF e e-mail, dados que são tornados públicos para funcionários públicos, que o caso de Massi.

or não conseguir acessar o aplicativo, Massi sabe que o dinheiro foi tirado de sua conta do FGTS, mas não como foi usado.

A Caixa não informou à reportagem quantos casos de fraudes no FGTS foram registrados, mas disse que colabora com os órgãos de segurança que atuam no combate aos crimes. Leia a nota enviada ao R7:

“A CAIXA informa que colabora com os órgãos de segurança que atuam no combate a fraudes no Saque Emergencial do FGTS e demais benefícios sociais e esclarece que informações sobre eventos criminosos são repassadas exclusivamente às autoridades policiais.

A CAIXA realiza, de forma estratégica e preventiva, monitoramento de casos suspeitos e bloqueia contas com indícios de fraude ou com inconsistências cadastrais para a verificação de informações.

Essa checagem está garantindo a preservação do direito ao saque de benefícios sociais por todas as pessoas que preenchem corretamente os critérios de elegibilidade e necessitam dos recursos do Auxílio Emergencial que é a maior operação de transferência de renda da história do país.

Os cuidados que os beneficiários devem ter para não serem vítimas de fraude estão disponíveis no link.

Eventuais contestações de saques podem ser formalizadas pelo beneficiário diretamente em qualquer agência da CAIXA. Para os casos em que houver comprovação de saque fraudulento, o beneficiário será devidamente ressarcido”.

O que fazer em caso de fraude

O Procon-SP afirmou à reportagem do portal R7 que a segurança do aplicativo é de responsabilidade da Caixa e que, por isso, em casos de saque por terceiros, o consumidor deve ser ressarcido.

“Caso o consumidor tenha valores sacados sem a sua autorização, deve reclamar imediatamente junto ao banco. Se este não comprovar que o cliente fez o saque, o consumidor deve ser ressarcido. Se o banco recusar a devolução, o consumidor deve abrir uma reclamação no Procon”, afirma o órgão de defesa do direito do consumidor.

A economista do Idec Ione Amorim afirma que “apesar do sistema estar lento e travado pela redução de equipes e aumento das reclamações, a recomendação é realmente registrar a reclamação no SAC da Caixa. Também é importante registrar a reclamação na plataforma do www.consumidor.gov.br”.

Amorim também diz que, neste tipo de fraude, a movimentação sem autorização do consumidor configura quebra de sigilo bancário. “A Caixa deve abrir o processo interno para averiguação e corrigir a falha do sistema e devolver o dinheiro ao consumidor”, explica.

Apesar da instituição ter responsabilidade por estes casos, Amorim orienta que
“o consumidor precisa ficar atento ao tipo de informação que ele fornece, pois a fragilidade dos dados de contato (telefone, e-mail de terceiros, uso de aplicativo de outra pessoa) contribuem para que as fraudes ocorram e, nesses casos, não é possível atribuir a responsabilidade ao banco”.

O Procon-SP também dá algumas dicas para que os consumidores evitem fraudes:

• não acredite em ofertas de ajuda, auxílio, dinheiro etc enviadas pelo whatsapp, redes sociais, e-mails e não clique nesses links;
• não confie e não compartilhe links e informações dos quais não tenha certeza da origem;
• não preencha formulários que não estejam nos sites oficiais;
• baixe aplicativos apenas das lojas oficiais;
• em caso de dúvidas ou dificuldades, procure um familiar ou amigo que possa ajudar;
• utilize antivírus no computador, tablet e smartphone.

Matéria do R7

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