O atual governo busca concentrar todos os poderes no presidente da República e age para desacreditar a ciência e as instituições (Legislativo, Judiciário, empresas públicas, etc.), desqualifica a oposição e a imprensa, etc. Nesse caminho, as tentativas de ruptura geram crises sucessivas.

Jair Bolsonaro atua como controlador direto das Forças Armadas para atingir os seus objetivos políticos e se referiu a elas, diversas vezes, como “meu Exército”.

O general Eduardo Pazuello desrespeitou o regulamento disciplinar do Exército ao participar, no Rio de Janeiro, de evento político com Jair Bolsonaro, porém, sob influência do presidente, o ato ficou sem punição. Esse fato dividiu opiniões e o mau exemplo da impunidade pode encorajar militares a participarem de eventos políticos, inclusive da oposição, e, dessa forma, poderá ser levada a divisão política para dentro dos quartéis.

O meio ambiente tem o ministro, Ricardo Salles, focado em desfazer o aparato de proteção ambiental. A Polícia Federal, em dezembro de 2020, interditou 131 mil metros cúbicos de toras no Pará e o Ministro deslocou-se duas vezes para se posicionar a favor dos madeireiros. No dia 19.05 o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou busca e apreensão, quebra de sigilos bancário e fiscal, suspensão do cargo de agentes do ministério, investigados por facilitação ao contrabando de produtos florestais.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), do Senado, mostrou ter o governo formado um “Comitê Paralelo”, composto por aduladores aprovando todos os atos do presidente (inclusive os errados, encorajando-o a se manter no caminho equivocado). Houve o incentivo público de medidas não científicas, como a imunização de rebanho (com a exposição do maior número de pessoas ao vírus), não recomendação de medidas preventivas (isolamento, máscaras), a indicação do tratamento precoce e a demora na aquisição de vacinas. O desempenho do Comitê é digno de nota zero, podendo ser negativa na mesma magnitude do número de mortes por coronavírus no Brasil.

A mais recente crise, foi a aceitação, pelo presidente da República, do Brasil passar a ser sede da Copa América, após a recusa da Argentina e da Colômbia. A decisão gerou desconforto e críticas, devido a pandemia, por estar sendo politizado o esporte preferido dos brasileiros. O técnico e jogadores da seleção ameaçaram não participar da Copa.

Na economia temos desindustrialização e aumento da participação do agronegócio e da mineração. A pandemia aumentou o desemprego e agravou as dificuldades dos pequenos negócios. O governo consegue no máximo executar soluções paliativas do bolsa família e postergar o auxílio emergencial e não executa políticas públicas para todos auferirem e contribuírem de forma digna com o desenvolvimento nacional.

As crises geram inseguranças (de diversos matizes) e o Brasil deixa de ser atraente para os investidores e assiste as empresas fecharem e deixarem o país.

Euler Antônio Vespúcio – advogado tributarista

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