Como forma de pressionar pelo fim da greve dos professores, que completa nesta segunda-feira (24), 46 dias, o governo de Minas estabeleceu um prazo máximo para iniciar a contratação de substitutos. De acordo com a secretária de Estado de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena, se na próxima assembleia, marcada para esta terça-feira (25), a categoria decidir por continuar a paralisação, novos profissionais vão começar a trabalhar no lugar dos grevistas. Mas isso não implicará demissões, segundo ela.
Minha expectativa é que a decisão seja pelo fim do movimento, mas, se a greve não acabar, o governo não pode ficar de braços cruzados. Vamos contratar profissionais para que as escolas possam voltar ao funcionamento normal. Os nossos alunos não podem continuar sendo prejudicados, disse a secretária.
Renata Vilhena enfatizou que as demissões continuam fora dos planos do governo. Ela explicou que as substituições, se forem concretizadas, vão auxiliar na reposição das aulas.
As negociações foram retomadas depois que secretária se reuniu com representantes do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) na sexta-feira passada (21). Uma nova reunião entre as partes foi marcada para esta segunda-feira (24) à noite, na tentativa de acertar todos os detalhes da proposta do governo, que será apresentada aos professores na assembleia de terça-feira.
Impasses marcaram a última votação da categoria, ocorrida no dia 18 de maio. Ao contrário do que foi divulgado anteriormente, a greve continuou. O governo apresentou um termo de acordo ao sindicato, mas ele não foi aceito por não contemplar uma proposta de reajuste salarial para os professores. O governo acusou o Sind-UTE/MG de não ter apresentado aos professores que participaram da assembleia a proposta que atendia parte das reivindicações. Já o sindicato afirmou que a primeira proposta, encaminhada pouco antes das 13h, foi, sim, votada, mas que não atendia às reivindicações e, por isso, foi reprovada. Segundo Beatriz Cerqueira, coordenadora do Sind-UTE/MG, um segundo documento foi enviado para o sindicato às 17h, mas não deu tempo de ser apreciado.
Nova proposta
Segundo Renata Vilhena, a proposta que será apresentada ao sindicato na reunião de hoje só difere em um item da que tinha sido enviada na tarde do dia 18.
A questão salarial não muda porque o governo não tem a menor condição de pagar um vencimento básico de R$ 1.312,85 (reivindicado pelo sindicato). Cedemos em relação ao prazo de entrega dos trabalhos da comissão que será criada para estudar a revisão dos planos de carreira. O sindicato pediu 20 dias e nós concordamos que isso é possível, mesmo sendo um prazo curto, afirmou a secretária.
O governador Antonio Anastasia afirmou ter esperanças de que os professores voltem ao trabalho após a próxima assembleia da categoria, prevista para amanhã. Já foi deixado claro que a reivindicação principal do sindicato é impossível de ser atendida, disse.
Segundo Anastasia, nenhum Estado paga o piso que o sindicato reivindica.

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