Governo mineiro investiu menos que o previsto em 2014

Levantamento aponta crédito autorizado, mas ações em áreas prioritárias não atingiram as metas

Levantamento aponta crédito autorizado, mas ações em áreas prioritárias não atingiram as metas

No mesmo ano em que a nascente do rio São Francisco, localizada na Serra da Canastra, secou, o governo de Minas restringiu em 35,4% do previsto os investimentos do orçamento em políticas públicas na área de meio ambiente. Dos R$ 20,2 milhões estimados só para a área de gestão de recursos hídricos, em 2014, R$ 2 milhões foram, de fato, investidos.

Os números estão no site de acompanhamento de políticas públicas da Assembleia Legislativa de Minas ? os dados de 2013 não estão disponíveis. A situação não foi melhor em áreas consideradas prioritárias, como saúde, educação e segurança pública. Em nenhum desses setores os investimentos alcançaram os 100% previstos.
Os números atualizados por técnicos da Assembleia levam em consideração a comparação entre o crédito autorizado e a despesa realizada pelo governo. De 2014, podem ser acessados os índices de janeiro e outubro ? o que representa pouco mais de 80% do ano. Vinte das 22 áreas de atuação do governo receberam menos investimentos que o previsto.
Na saúde, por exemplo, dos R$ 5,2 bilhões autorizados, R$ 2,9 bilhões foram aplicados pelo governo até o mês de outubro. Especificamente na política de transplantes, apenas R$ 225 mil (5,6% dos R$ 4 milhões liberados) foram usados. Políticas públicas voltadas para pessoas que têm o vírus HIV receberam R$ 973 mil dos R$ 13,6 milhões previstos (7,1% do total).
A educação, setor que tinha previsão total de investimento de R$ 9,6 bilhões, também foi afetada em projetos específicos. Ações como desenvolvimento do ensino médio, de competência do Estado, tiveram investimentos de R$ 994 mil, ou seja, 13,6%, dos R$ 7,3 milhões previstos.
A segurança pública, com crédito autorizado de R$ 4 bilhões para investimentos, recebeu pouco mais de 60% do previsto. Até mesmo os R$ 4,3 milhões inicialmente calculados para aplicação em investimentos para a Copa do Mundo sofreram baixa e pouco mais da metade foi, de fato, gasto.
Procurado nesta quinta, o governo de Minas informou por meio de sua assessoria que não cabe à atual administração avaliar investimentos feitos pela gestão anterior. Em 2014, no orçamento a expectativa de receita era de R$ 77 bilhões, mas, ao fechar os cofres, o valor arrecadado ficou 10% menor.
Transparência
Os dados dos investimentos do governo de Minas nas áreas estratégicas são de acesso público. O endereço é o politicaspublicas.almg.gov.br. Os dados estão atualizados até outubro.

Petistas e tucanos dão explicações distintas

Petistas e tucanos concordam em um ponto: a execução orçamentária em 2014 ficou bem aquém do esperado. A justificativa, no entanto, é divergente. Para o presidente da Comissão de Participação Popular, deputado André Quintão (PT), que no mês que vem assume a Secretaria de Assistência Social, o acompanhamento das políticas públicas da Assembleia mostra um ?cenário de baixa execução orçamentária em vários programas e o decréscimo em algumas áreas?.

Já o membro da Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária, deputado Lafayette Andrada (PSDB) justifica: ?Repercutiu em Minas o cenário de crise econômica nacional. O grande concentrador de recursos, que é o governo federal, deixou de repassar um grande volume de recursos?, explicou.

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Sobre o autor

André Ribeiro

Designer do portal Últimas Notícias, especializado em ricas experiências de interação para a web. Tecnófilo por natureza e apaixonado por design gráfico. É graduado em Bacharelado em Sistemas de Informação pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

Governo mineiro investiu menos que o previsto em 2014

Levantamento aponta crédito autorizado, mas ações em áreas prioritárias não atingiram as metas.

Levantamento aponta crédito autorizado, mas ações em áreas prioritárias não atingiram as metas.

 

No mesmo ano em que a nascente do rio São Francisco, localizada na Serra da Canastra, secou, o governo de Minas restringiu em 35,4% do previsto os investimentos do orçamento em políticas públicas na área de meio ambiente. Dos R$ 20,2 milhões estimados só para a área de gestão de recursos hídricos, em 2014, R$ 2 milhões foram, de fato, investidos.

Os números estão no site de acompanhamento de políticas públicas da Assembleia Legislativa de Minas – os dados de 2013 não estão disponíveis. A situação não foi melhor em áreas consideradas prioritárias, como saúde, educação e segurança pública. Em nenhum desses setores os investimentos alcançaram os 100% previstos.

Os números atualizados por técnicos da Assembleia levam em consideração a comparação entre o crédito autorizado e a despesa realizada pelo governo. De 2014, podem ser acessados os índices de janeiro e outubro – o que representa pouco mais de 80% do ano. Vinte das 22 áreas de atuação do governo receberam menos investimentos que o previsto.

Na saúde, por exemplo, dos R$ 5,2 bilhões autorizados, R$ 2,9 bilhões foram aplicados pelo governo até o mês de outubro. Especificamente na política de transplantes, apenas R$ 225 mil (5,6% dos R$ 4 milhões liberados) foram usados. Políticas públicas voltadas para pessoas que têm o vírus HIV receberam R$ 973 mil dos R$ 13,6 milhões previstos (7,1% do total).

A educação, setor que tinha previsão total de investimento de R$ 9,6 bilhões, também foi afetada em projetos específicos. Ações como desenvolvimento do ensino médio, de competência do Estado, tiveram investimentos de R$ 994 mil, ou seja, 13,6%, dos R$ 7,3 milhões previstos.

A segurança pública, com crédito autorizado de R$ 4 bilhões para investimentos, recebeu pouco mais de 60% do previsto. Até mesmo os R$ 4,3 milhões inicialmente calculados para aplicação em investimentos para a Copa do Mundo sofreram baixa e pouco mais da metade foi, de fato, gasto.

Procurado nesta quinta, o governo de Minas informou por meio de sua assessoria que não cabe à atual administração avaliar investimentos feitos pela gestão anterior. Em 2014, no orçamento a expectativa de receita era de R$ 77 bilhões, mas, ao fechar os cofres, o valor arrecadado ficou 10% menor.

 

Transparência

Os dados dos investimentos do governo de Minas nas áreas estratégicas são de acesso público. O endereço é o politicaspublicas.almg.gov.br. Os dados estão atualizados até outubro.

 

Petistas e tucanos dão explicações distintas

Petistas e tucanos concordam em um ponto: a execução orçamentária em 2014 ficou bem aquém do esperado. A justificativa, no entanto, é divergente. Para o presidente da Comissão de Participação Popular, deputado André Quintão (PT), que no mês que vem assume a Secretaria de Assistência Social, o acompanhamento das políticas públicas da Assembleia mostra um “cenário de baixa execução orçamentária em vários programas e o decréscimo em algumas áreas”.

Já o membro da Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária, deputado Lafayette Andrada (PSDB) justifica: “Repercutiu em Minas o cenário de crise econômica nacional. O grande concentrador de recursos, que é o governo federal, deixou de repassar um grande volume de recursos”, explicou.

Redação do Jornal Nova Imprensa O Tempo

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Sobre o autor

André Ribeiro

Designer do portal Últimas Notícias, especializado em ricas experiências de interação para a web. Tecnófilo por natureza e apaixonado por design gráfico. É graduado em Bacharelado em Sistemas de Informação pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

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