Quase metade das mortes por dengue confirmadas em Minas neste ano foi registrada na Grande BH. Dos 38 óbitos, 17 – 45% do total – ocorreram na região metropolitana, segundo dados divulgados nessa segunda-feira (13) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).

Os motivos para a concentração de casos ainda demandam estudos mais detalhados. No entanto, uma relação com a tragédia de Brumadinho, que pode ter provocado um desequilíbrio ambiental, não está descartada.

Em Minas, de janeiro até agora, são mais de 247 mil notificações da doença. O número é o terceiro maior já registrado na última década, ficando atrás apenas de 2016, que teve 519 mil ocorrências, e 2013, com 414 mil.

Somente nos últimos sete dias, 13 pessoas perderam a vida após serem infectadas pelo vírus. Os óbitos neste ano já são três vezes maiores do que em 2018, quando 12 pacientes morreram por causa da enfermidade. 

De acordo com a SES-MG, a predominância do vírus tipo 2 da dengue é uma das explicações para a elevação das mortes. Conforme a pasta, apesar do sorotipo circular há mais tempo, muitos mineiros estão suscetíveis a ele.

“Durante a grande epidemia em 2016, o sorotipo que circulou foi o 1, portanto, quem teve dengue em 2016 ficou imune a ele, mas não está protegida contra o sorotipo 2”, informou o órgão.

A bióloga Denise Valle, especialista em insetos e pesquisadora do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), também acredita que essa pode ser a principal explicação para a explosão de casos. “Você pode ter dengue quatro vezes antes de ficar totalmente imune. Assim, pessoas que nunca tiveram contato com um novo vírus acabam contraindo a doença”, pondera. “Com uma população muito grande desprotegida, acaba-se tendo uma epidemia instalada”, destaca Denise.

Avanço

Cristais, na região Centro-Oeste do Estado, é a cidade com maior incidência (número de casos em relação ao total de habitantes) da enfermidade. Já em números absolutos, Belo Horizonte lidera o ranking, com 29.695 ocorrências. Contagem, na Grande BH, aparece em segundo, com 8,5 mil.

Coordenadora do curso de enfermagem das Faculdades Kennedy, Débora Gomes Pinto explica que questões climáticas também podem contribuir para a proliferação do mosquito transmissor da doença. “Estamos tendo chuvas em maio, o que não é comum”, afirma. “Além disso, apesar da comunicação, muitas pessoas ainda não fazem a vigilância como deveriam e deixam recipientes com água parada”, acrescenta a professora.

Enfrentamento

Por nota, a SES-MG informou que as medidas de controle da dengue são intensificadas nos meses mais quentes, em que há maior incidência da transmissão das doenças.

“Como parte dessas ações, um aporte financeiro às Unidades de Pronto-Atendimentos (UPA) foi liberado para 32 municípios. “O recurso, de aproximadamente R$ 17 milhões, é referente a seis parcelas dos valores da contrapartida estadual de custeio das UPAs 24h”.

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