Países representantes do Grupo de Lima – entre eles, o Brasil – divulgaram nota neste domingo (30) em repúdio à morte do militar venezuelano Rafael Acosta Arévalo. Ele morreu no sábado sob custódia do regime de Nicolás Maduro, acusado de participar de uma suposta tentativa de golpe contra o chavismo na Venezuela.

No texto, o Grupo de Lima afirma que o militar foi capturado por homens armados em 21 de junho e apresentado a um juiz na sexta-feira (28), com visíveis sinais de tortura.

“O Grupo de Lima repudia as contínuas práticas de detenções arbitrárias e tortura submetidas pelo regime ilegítimo de Nicolás Maduro a quem considera seus opositores”, diz a nota.

Os representantes do grupo também pediram à alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, que “atue sem demora para que os direitos dos venezuelanos sejam restabelecidos e tenham sua integridade protegida”.

Acosta morreu dias depois da visita de Bachelet à Venezuela. A representante da ONU estava no país justamente para conversar com Nicolás Maduro e Juan Guaidó e investigar violações de direitos que vão desde execuções extrajudiciais até desaparecimentos forçados.

Militar teria sofrido espancamento
Acosta estava quase inconsciente em uma audiência na sexta-feira, depois de ter sido espancado e torturado, disse sua mulher, Waleska Perez, em entrevista a uma emissora da televisão de Miami, acrescentando que ele foi transferido para um centro de saúde militar.

“Eles o torturaram tanto que o mataram”, disse Perez em entrevista à EVTV Miami, transmitida pelo Instagram. Ela disse que Acosta foi detido em 21 de junho.
A advogada Tamara Suju, a primeira a divulgar a informação da morte de Acosta Arévalo, disse que o capitão apresentava graves sinais de tortura quando compareceu a uma audiência na Justiça. Segundo ela, ele não conseguia falar e ficar de pé.

“O juiz ordenou que ele fosse levado ao hospital militar, mas ele acabou morrendo hoje. Maduro é responsável”, acusou a advogada.

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, também disse que Acosta foi assassinado e que isso é mais uma prova de que os aliados de Maduro se recusam a atender às demandas por uma mudança de governo.

“Eles não ouvem? Do túmulo, dos porões onde as pessoas estão sendo torturadas, o povo [está pedindo por] uma mudança”, disse Guaidó em comentários transmitidos pela internet.
Chavismo promete investigar morte

As lideranças chavistas na Venezuela confirmaram a morte de Acosta, mas se recusaram a admitir que ele morreu após sofrer tortura. O promotor-chefe Tarek Saab disse via Twitter que vai abrir uma investigação sobre o incidente, sem descrever a causa da morte.

Maduro disse na semana passada que oficiais militares, com o apoio de políticos da oposição e líderes políticos estrangeiros, planejaram derrubar seu governo.

 

Fonte: G1||https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/06/30/grupo-de-lima-repudia-morte-de-militar-na-venezuela-sinais-visiveis-de-tortura.ghtml

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