O Ministro da Economia, Paulo Guedes, pretende implantar no Brasil uma agenda liberal, inspirada no Chile, e trabalha para ter uma economia com maior participação da iniciativa privada, desburocratização, desregulamentação, desindexação e desvinculação das receitas, privatizações, simplificação tributária, diminuição de impostos de importação, reforma administrativa, cortes de despesas, teto unificado de gastos em educação e saúde, desoneração de encargos do empregador, Banco Central independente, retirada de subsídios da cesta básica, etc.

A Reforma da Previdência foi aprovada, mesmo sem ter as ideias de Guedes de capitalização e regime de receitas sem a participação patronal.

Um dos momentos marcantes de Guedes foi no dia 3 de abril, na explicação da proposta de Reforma da Previdência, na Câmara Federal, quando o deputado federal Zeca Dirceu, do PT, afirmou “o senhor é tigrão quando mexe com aposentados e tchutchuca com privilegiados” e Guedes respondeu “tchutchuca é a mãe”.

A partir do dia 18 de outubro, o maior exemplo mundial de liberalismo, o Chile, passou a ter manifestações por melhores condições sociais e benefícios previdenciários.

O governo paralisou a agenda de reformas, temendo a repetição dos protestos no Brasil, principalmente após a soltura do ex-presidente Lula, no dia 8 de novembro, o qual centrou suas críticas na política econômica de Guedes e na atual situação social (desemprego, pobreza, precarização das relações de trabalho, redução do poder de compra e novas regras de aposentadoria), chamando-o de “demolidor de sonhos” e “destruidor de emprego e de empresa pública”.

A oposição divulgou a agenda de 2020 das datas de manifestações contra a atual política econômica.

Pressionado, no dia 25 de novembro, Guedes afirmou ser uma irresponsabilidade a esquerda chamar o povo para a rua e declarou: “Não se assustem se alguém pedir o AI-5.”. A seguir, disse ser a atual política fiscal forte, com inflação e juros baixos, sendo normal termos um câmbio mais alto.

Essas declarações agitaram os meios econômicos, políticos e fizerama alegria dos especuladores financeiros.

Nos dias seguintes o dólar atingiu as maiores cotações depois da implantação do real, o Banco Central interveio com vendas de dólares e diversos produtos foram remarcados, como a gasolina e as carnes, gerando expectativa de aumento da inflação e dos juros.

Já quanto a declaração sobre a reedição de um novo AI-5, lideranças políticas e representantes do Legislativo e do Judiciário condenaram as afirmações de Guedes, considerando a cogitação completamente inconcebível no ambiente democrático do Brasil. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, disse “não se constrói o futuro com experiências fracassadas do passado”.

As declarações de Guedes o colocaram em evidência, inclusive o titularizaram como culpado de, passados quase um ano do novo governo, os mesmos problemas sociais continuarem.

Imprimir