Uma nova guerra entre as duas Coreias começaria pelo ar, com envolvimento direto dos Estados Unidos e do Japão, mais a ação colateral da China, mas não teria armas atômicas.

O primeiro movimento talvez seja o de um bombardeio maciço da aviação americana sobre Pyongyang, com apoio da frota de destróieres lançadores de mísseis Tomahawk, de alta precisão, também contra alvos estratégicos da infraestrutura do país – centrais de comunicações, estações geradoras de energia, sistemas viários e aeroportos.

O fogo, no entanto, seria fortemente concentrado nas instalações dos programas de desenvolvimento dos dispositivos nucleares e de foguetes balísticos, nos secretos complexos de Yongbyon e Punggye-i.

A reação da Coreia do Norte seria tremenda, com sua tropa de 1,2 milhão de combatentes, e o uso da poderosa artilharia de campo – 8.600 peças modernizadas, de forma a elevar o alcance das granadas além de 45 km –, mais mísseis com cargas explosivas de alto rendimento e foguetes de saturação de área.

No primeiro dia, morreriam cerca de 70 mil pessoas, entre militares e civis, no cenário do Centro de Estudos Estratégicos da Universidade Georgetown, produzido para servir de referência para o Pentágono, a luta seguiria em frente por mais um mês, ou até cinco semanas no máximo. Até este momento haveria 3 milhões de baixas. A escalada continuaria.

“Essa projeção do apocalipse seria uma garantia de que não haveria guerra – fica claro que todos os lados têm muito a perder com um conflito”, destaca o coordenador do trabalho, um ex-general do Exército identificado apenas pela patente.

A península coreana tem 1.100 km de extensão, perto da distância entre São Paulo e Brasília. O território é cortado pela linha desmilitarizada do paralelo 38, fortemente guarnecido, que criou, no espaço de segurança determinado como terra de ninguém, uma grande reserva ambiental.

Seul, a capital do sul, tem 25 milhões de habitantes. A projeção dos pesquisadores mostra que seria muito difícil proteger a maioria no caso de um ataque vindo do norte em larga escala e, pior, se o patamar atingido vier a ser o dos equipamentos nucleares. A ameaça maior viria de duas vertentes – o esgotamento de Kim Jong-un de prover o abastecimento das forças e a constatação de que o inimigo é superior. A tentação da radicalização seria forte para um líder instável como ele. Uma única ação nuclear direta poderia deixar outros 3 milhões de mortos.

Ameaça não foi forte o suficiente, diz Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nessa quinta-feira (10) que as ameaças de “fogo e fúria” contra a Coreia do Norte não foram “suficientemente fortes”.

Trump reafirmou as ameaças ao regime de Kim Jong-un antes de uma reunião de segurança com o vice-presidente do país, Mike Pence, o assessor de Segurança Nacional, H.R. McMaster, e o chefe de gabinete da Casa Branca, John Kelly. Na última terça-feira, Trump afirmou que se a Coreia do Norte seguir com as provocações e ameaças, enfrentaria “fogo e fúria como nunca se viu antes”. O regime de Kim Jong-un respondeu indicando que poderia atacar a Ilha de Guam, território americano no Oceano Pacífico e que abriga uma importante base naval do país. O plano seria investir contra a ilha ainda neste mês.

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Fonte:

O Tempo