Nessa quinta-feira (15) a guerra na Síria completou 7 anos.  Em 15 de março de 2011, foi a primeira vez que milhares de sírios foram às ruas para pedir mudanças no regime de Bashar al-Assad e a libertação de presos pela ditadura, em meio à Primavera Árabe, que já havia passado por Tunísia, Egito, Líbia, Bahrein e Iêmen. No caso sírio, porém, as manifestações se transformaram em uma guerra civil com a participação indireta de diversas potências.

Há sete anos, o exército da Síria reprimiu violentamente um protesto pacífico contra a prisão de um grupo de adolescentes que escreveram uma mensagem contra o presidente Bashar Al-Assad na parede de uma escola.

Teve início ali um conflito que até hoje parece muito distante de qualquer solução. Uma guerra que, em sete anos, fez com que 11,5 milhões de pessoas, cerca de metade da população da Síria, abandonassem seus lares.

Respota violenta a protestos
Durante 2011, o regime de Bashar al-Assad respondeu com violência a protestos em diversas cidades que pediam reformas democráticas.

 Ataques com armas química

Dois ataques com gás sarin deixaram centenas de mortos em 2013; EUA acusaran o regime de Assad. Apesar de ameaças dos EUA e da ONU, outros ataques com armas químicas aconteceram entre 2015 e 2018; tropas de Assad e rebeldes acusam um ao outro de ser responsável pelos ataques

Participação dos EUA

Após Obama dizer em 2013 que Assad tinha cruzado a “linha vermelha” ao usar armas químicas, EUA aumentaram o apoio militar aos rebeldes anti-Assad. Em 2014, forças dos EUA passaram a bombardear alvos do Estado Islâmico; em 2015, soldados foram enviados ao norte da Síria para apoiar os curdos que enfrentam o EI na região.

Estado Islâmico

Facção se expandiu na Síria e declarou em 2014 ter formado um “califado” que ia de Aleppo ao Iraque; em outubro, com domínios reduzidos a menos da metade, é expulsa de Raqqa, seu bastião.

Participação da Rússia

Apoiadora do governo de Assad desde o início do conflito, a Rússia entrou na guerra diretamente em 2015, bombardeando rebeldes e dando apoio militar às forças de Assad, que começaram a ter mais vitórias.

Refugiados

Em 2015, a foto do corpo do menino sírio Alan Kurdi, 3, que morreu no naufrágio do barco em que estava tentando chegar à Turquia, chamou a atenção para o drama dos refugiados da guerra civil.

Aleppo

Confrontos entre rebeldes e tropas leais a Assad se espalharam em Aleppo, segunda maior cidade da Síria, em 2012; após anos de enfrentamentos, forças do governo cercaram a cidade, levando à falta de comida e remédios para a população, e retomaram o controle em dezembro de 2016.

Uma trégua de 30 dias imposta pela ONU no fim de fevereiro deste ano foi repetidamente violada, agravando a crise humanitária em Ghouta, que abriga cerca de 400 mil civis.  O regime de Bashar al Assad  já deixou mais de 500 mil mortos.

Êxodo sírio

O país tem aproximadamente 6 milhões de pessoas deslocadas dentro do próprio território, segundo dados da Acnur — a agência de refugiados da ONU. Outros 5,5 milhões decidiram buscar asilo e proteção em outros países.

Jordânia, Turquia, Líbano, Iraque e Egito, que fazem fronteira com a Síria, foram os países que mais receberam refugiados. A Turquia sozinha abriga 3 milhões de sírios. Já no Líbano, estima-se que 1 em cada 4 habitantes seja refugiado.

A mudança para outro país não é a pior dificuldade enfrentada pelos sírios. Quando eles saem de sua terra natal, levam muito pouco do que possuem o que significa que eles chegam aos outros países muito pobres.

Os dados da Acnur apontam que entre os refugiados que vivem na Jordânia, 80% vivem abaixo da linha da pobreza. No Líbano, o número de refugiados miseráveis é de 60%, ainda assim um número assombroso. Essas pessoas vivem com menos de R$9,36 por dia.

Por conta disso, em 2017, mais de 700 mil sírios deslocados dentro e fora do país decidiram retornar para suas casas. Essas casas no entanto, não são as mesmas que foram deixadas.

Com uma guerra tão intensa durando tanto tempo — a guerra da Síria já dura mais do que a Segunda Guerra Mundial — cidades inteiras foram destruídas e as que restaram não contam mais com serviços como água ou eletricidade. Em Aleppo, não existem mais hospitais, segundo a Unicef.

Outra preocupação dos pais que retornam é a educação de seus filhos, já que uma em cada quatro escolas do país foram danificadas. A situação já é grave entre as crianças menores porque menos da metade das que já possuem idade para frequentar a escola sequer então matriculadas.

Mas o maior agravante é a situação de jovens que deveriam frequentar o ensino médio ou a universidade e não têm nenhum acesso à educação.

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Com portais de notícias