O grupo ativista Avós da Praça de Maio apresentaram nesta quinta-feira (13) a identidade de uma das crianças desaparecidas na ditadura militar da Argentina (1976-1983). Javier Matías Darroux Mijalchuk foi retirado dos pais em dezembro de 1977, quando ambos desapareceram por causa do regime.

Mijalchuk comemorou ao saber quem eram os pais e conhecer mais sobre a origem biológica. “Eu sempre dizia que tinha certeza de que [meus pais] poderiam estar desaparecidos, mas eu estava bem com quem eu era e não me convencia em iniciar as buscas”, afirmou, segundo o jornal “Clarín”.

De acordo com o portal G1, Foi um tio chamado Roberto quem insistiu em procurar o paradeiro do sobrinho desaparecido ao longo dos anos. Sensibilizado com a persistência dos familiares, Mijalchuk pede que pessoas na mesma situação “busquem coragem” para lutar pela aproximação das famílias.

Agora, ele tentará saber o que de fato aconteceu com os pais, desaparecidos desde aquele dezembro de 1977. Além disso, o argentino quer saber o paradeiro do irmão ou irmã – a mãe dele estava grávida quando desapareceu.

“A convicção da luta e a busca não terminam”, disse Mijalchuk.

 

Avós da Praça de Maio

A associação presidida por Estela de Carlotto estima que cerca de 500 bebês foram tirados durante a ditadura de suas mães, a maioria opositoras ao regime que deram à luz em centros clandestinos de detenção e tortura e nunca reapareceram.

Javier Mijalchuk apresenta fotos dos pais desaparecidos na ditadura da Argentina. À esquerda, está a líder do grupo Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto — Foto: Agustin Marcarian/Reuters

Segundo organismos de direitos humanos, o terrorismo de Estado fez cerca de 30 mil pessoas desaparecerem, segundo dados das organizações de direitos humanos.

Em meados dos anos 1980, as Avós impulsionaram a criação de um banco para armazenar os perfis genéticos e garantir a identificação de seus netos.

Em 1987, o Congresso criou, mediante uma lei, o Banco Nacional de Dados Genéticos, que desde então se encarrega de resolver a filiação das meninas e crianças apropriadas durante a última ditadura.

Em todo este tempo, o banco foi somando técnicas avançadas de identificação genética e legista e em 2009 sancionou uma nova lei que hierarquizou a instituição.

Imprimir

Fonte:

G1