Homens com mais de 50 anos e com algum problema de saúde são mais da metade das vítimas de coronavírus. Segundo informações do Comitê Nacional de Saúde da República Popular da China, a idade média das vítimas é de 75 anos (veja abaixo o perfil de cada uma).

Até quinta-feira (23), o governo chinês havia divulgado o perfil de 18 pessoas entre as 25 mortes confirmadas – 14 homens e quatro mulheres. Enquanto a vítima mais jovem foi uma mulher de 48 anos, as mais idosas foram dois homens de 89 anos. Além disso, a maioria das vítimas tinha problemas de saúde anteriores, como cirrose hepática, hipertensão, diabetes e doença de Parkinson.

Quem são as vítimas:

Zeng, homem, 61 anos, tinha histórico de cirrose. Foi internado em 20 de dezembro com febre, tosse e fraqueza. Morreu no dia 9.
Xiong, homem, 69 anos. Foi internado em 3 de janeiro com tosse, febre e dispneia. Morreu no dia 15.
Wang, homem, 89 anos, tinha histórico de hipertensão. Foi internado em 5 de janeiro por causa de uma incontinência urinária. No dia 8, foi diagnosticado com pneumonia. Morreu no dia 18.
Chen, homem, 89 anos, tinha histórico de hipertensão, diabetes e era paciente cardíaco. Foi internado em 5 de janeiro por causa de uma incontinência urinária. No dia 8, foi diagnosticado com pneumonia. Morreu no dia 19.
Li, homem, 66 anos, tinha hipertensão, diabetes tipo 2, insuficiência renal crônica e problemas cardíacos. Foi internado em 16 de janeiro com tosse intermitente, dor de cabeça, fadiga e febre. Morreu no dia 20.
Wang, homem, 75 anos, tinha hipertensão. Foi internado em 11 de janeiro devido a febre com tosse, congestão nasal e vômito por 2 dias seguidos. Morreu no dia 20.
Yin, mulher, 48 anos, tinha diabetes. Foi internada em 27 de dezembro com corpo dolorido, febre e fadiga. Morreu no dia 20.
Liu, homem, 82 anos. Foi internado em 14 de janeiro devido a calafrios e dores no corpo. Morreu no dia 21.
Luo, homem, 66 anos. Foi internado em 22 de dezembro com dores no peito, falta de ar e tosse seca. Morreu no dia 21.
Nome não informado, homem, 65 anos. Foi internado em 11 de janeiro devido pneumonia grave, insuficiência respiratória aguda e lesão hepática. Morreu no dia 21.
Lei, homem, 53 anos. Foi internado em 13 de janeiro com pneumonia e insuficiência respiratória. Morreu no dia 21.
Wang, homem, 86 anos. Tinha hipertensão e diabetes. Foi internado em 9 de janeiro com fadiga. Morreu no dia 21.
Zhang, homem, 81 anos. Foi internado em 14 de janeiro depois de três dias de febre. Morreu no dia 22.
Zhang, mulher, 82 anos, paciente de doença de Parkinson. Foi internada em 3 de janeiro com pneumonia viral e insuficiência respiratória. Morreu no dia 22.
Hu, mulher, 80 anos, tinha hipertensão. Foi internada em 18 de janeiro com febre, tosse, chiado no peito e dispneia. Morreu no dia 22.
Yuan, mulher, 70 anos. Foi internada em 13 de janeiro com febre alta e infecção pulmonar. Morreu no dia 21.
Zhan, homem, 84 anos. Foi internado em 13 de janeiro com pneumonia e insuficiência respiratória. Morreu no dia 22.

Grupo vulnerável

Para o infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Celso Granato, o fato de quase todas as vítimas serem homens pode ser explicado por fator cultural. “Como o início da infecção está relacionado ao mercado de frutos do mar de Wuhan, pode ser que homens frequentem mais esses locais na China.”

Quanto à idade avançada das vítimas, o infectologista afirma que tal condição já é esperada em quadros de infecções virais.

“Geralmente as doenças virais acometem mais as pessoas idosas e com uma doença já associada, pois elas têm o trato respiratório mais sensível” – Celso Granato, infectologista da Unifesp
“Se o mesmo vírus infectar um jovem saudável de 30 anos, provavelmente não resultará em morte. É parecido com o que ocorre com o vírus da gripe: pessoas idosas costumam ser as vítimas fatais.”

Incubação prolongada

Ainda de acordo com o órgão chinês, a maioria das vítimas passou mais de uma semana internada até morrer. Pelo menos duas vítimas ficaram no hospital por um mês ou mais e somente dois morreram apenas quatro dias depois de serem diagnosticados.
O tempo de tratamento desde o surgimento dos sintomas até a morte é algo que chama a atenção para o infectologista. “Um mês de tratamento é muito tempo para uma doença respiratória viral. O tempo de incubação do vírus da gripe, por exemplo, é de 24 a 48 horas.”

Porém, o tempo de incubação prolongada “não quer dizer que o coronavírus é um vírus mais fraco que os que têm tempo de incubação menor”, explica Granato.

‘Não é epidemia’

Para o infectologista, ainda é cedo para se falar em epidemia do novo coronavírus. “Não pode ser considerado epidemia quando temos cerca de 800 infectados em uma cidade de 11 milhões de habitantes como Wuhan, pouco menos de um mês desde o relato dos primeiros casos. Isso é surto, não é epidemia.”

 

Fonte: G1||
Imprimir
Comentários