A combinação de imprudência de motoristas, falta de atenção de pedestres e fiscalização inadequada faz crescer o número de mortes por atropelamentos em Minas Gerais. No ano passado, por mês, uma média de 21 pessoas perderam a vida após serem atingidas por veículos.

Até novembro, conforme a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), foram 240 óbitos no Estado – 15 a mais em comparação com o mesmo período de 2018. Já em Belo Horizonte, nos onze meses de 2019, foram 36.

Os números, porém, podem ser maiores, vez que o balanço da pasta relaciona somente as mortes no local do acidente.

No último fim de semana, a gerente farmacêutica Jerusa de Alencar Viana, de 47 anos, entrou na estatística de vítimas do trânsito. Ela foi atingida por um carro BMW X1, na avenida Raja Gabaglia, região Centro-Sul da capital.

O motorista do automóvel de luxo, avaliado em R$200 mil, fugiu sem prestar socorro à mulher, que morreu no local. Até o fechamento desta edição, o suspeito estava sendo procurado por investigadores do Departamento de Trânsito (Detran), mas não havia sido localizado e preso.

Irresponsabilidade

Dirigir embriagado, mexendo no celular e com velocidade incompatível com a via são as principais causas desses acidentes, apontam especialistas.

“A imprudência de quem quer ganhar tempo é altamente fatal. Além disso, o uso do telefone tira a atenção dos condutores. Já o álcool afeta os reflexos”, frisou o tenente Marco Antônio Said, do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran).

Consultor em transporte e trânsito, Márcio Aguiar defende o respeito às normas de trânsito para reduzir as ocorrências. “Mas também é preciso reforçar a fiscalização, ter mais agentes nas vias de todas as cidades”, observou.

Na avaliação do especialista, a legislação também tem que ser mais rígida com quem comete crimes de trânsito, especialmente no que diz respeito a quem dirige embriagado e foge sem prestar socorro. “É preciso fazer cumprir a lei e, em algumas situações, é inadmissível que o infrator fique solto. É preciso mais rigor”.

Lado mais frágil

Atenção também deve ter o pedestre, que é o mais frágil, destaca o tenente Marco Antônio Said. “A atenção tem que ser dos dois lados. Mais uma vez o celular desvia a atenção. Não é recomendado mexer no aparelho enquanto está andando”, aconselhou.

Atravessar na faixa em vias movimentadas é essencial para evitar tragédias. “É a travessia segura, em área demarcada para isso”, completa Márcio Aguiar.

Na capital mineira

Em Belo Horizonte, mais de 1.600 pessoas foram atropeladas até novembro do ano passado. As avenidas Afonso Pena e Cristiano Machado são as que concentram mais acidentes do tipo.

“Os registros são maiores próximo do Parque Municipal (Centro) e nas proximidades do Minas Shopping (região Nordeste). Nestes casos, na maioria das vezes, as vítimas estão desatentas e atravessam fora da faixa e da passarela”, observou o tenente Marco Antônio Said, do Batalhão de Trânsito da PM.

Por nota, a BHTrans informou que vem trabalhando “arduamente para reduzir os acidentes, sobretudo quanto à severidade e a mortalidade de pedestres, ciclistas, motoristas e motociclistas”. A empresa destacou que, nos últimos anos, tem investido em fiscalização eletrônica, como no caso dos avanços de semáforo e radares de velocidade, e também na conscientização da população.


Imprimir

Fonte:

Hoje em Dia