A história da indústria nacional contém marcas exitosas, com poucos nomes ligados a tecnologia e com algumas histórias tristes do passado.

Há 50 anos o brasileiro, João Augusto Conrado do Amaral Gurgel fundou a Gurgel, a primeira fabricante nacional de veículos. Os carros foram um sucesso, chegou a ter 10 modelos em comercialização. Na década de 1990, a abertura da importação de veículos aumentou a concorrência e em 1993 a Gurgel pediu concordata.

Em 2018 a Embraer, líder mundial na fabricação de aviões comerciais de até 150 assentos, vendeu toda a sua área de aviação comercial para a Boeing, para a formação de uma nova empresa, com 80% de participação da Boeing e 20% da Embraer. Quer dizer, foi vendido para uma empresa de fora do país, com a entrega do conhecimento e da expertise de mão de obra qualificada, em uma negociação lesiva aos interesses nacionais (comerciais e de segurança), para uma empresa dos Estados Unidos, onde, sabemos, eles não aceitariam acontecer o inverso, com a venda de parte da Boeing para uma empresa não americana e alegariam questões de segurança nacional.

A realidade é que a grande maioria das empresas nacionais está ligada aos nossos produtos de exportação, no agronegócio e extração de minério e petróleo, e temos também nomes no ramo financeiro.

Devido a grande pauta de produtos do agronegócio e de recursos minerais e petróleo, o Brasil tem grandes empresas nacionais, com presença fora do país, como a JBS, BR Foods (Sadia, Perdigão), Vale, Petrobrás, etc.

No ramo financeiro o Brasil tem Bancos com alto poder de competitividade e grande valor patrimonial, como Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, reconhecidos por terem sofisticadas soluções de automação bancária, devido ter tido a necessidade de gerar soluções para agilizar as transações financeiras no período de surto inflacionário, de 1970 a 1994.

Agora, na grande maioria dos setores tecnológicos, os produtos são importados ou fabricados por empresas estrangeiras localizadas no Brasil, como de carros, celulares, televisores, máquinas de lavar, geladeiras, computadores, produtos de limpeza e de higiene, etc.

Essas fábricas estrangeiras aqui instaladas recebem incentivos e subsídios, com a doação dos terrenos e da infraestrutura, bem como a isenção de impostos, sem o repasse de sua tecnologia.

Dessa forma, vemos a necessidade imperiosa do governo deixar de ser passivo, até para enfrentar o atual quadro de desindustrialização, e implantar incentivos para o aparecimento de outras grandes empresas nacionais nos ramos de tecnologia, para diminuir a nossa dependência de fornecedores externos e diversificar a nossa plataforma industrial. Assim, haveria a análise de projetos apresentados por empreendedores, os quais, se aprovados, teriam incentivos e a parceria para a formação de mão-de-obra qualificada nas universidades e nos centros tecnológicos federais.

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