A indicação de leitura das bibliotecas públicas de Formiga para esta semana, é a obra Incidente em Antares, do escritor gaúcho Érico Veríssimo.

Publicado em 1971, o livro e utiliza do sobrenatural e do realismo fantástico para abordar temas reais e atemporais da condição humana. A história se passa na fictícia cidade de Antares, localizada às margens do rio Uruguai na fronteira com a Argentina, onde a vida é marcada por divisões, disputas familiares entre os Campolargo e os Vacariano e tudo gira em torno da política ditada por estas duas famílias.  E ai daquele que os contrariar!

Entre alianças e desavenças, Antares reflete a história do Brasil de uma maneira local e peculiar desde a sua fundação até as transformações político-sociais do século XX.

A ação que desencadeia o incidente do dia 11 de dezembro de 1963, ocorre quando os operários das indústrias da região decidem realizar uma greve geral, com a adesão dos funcionários do cemitério.

 Na iminência da greve, sete moradores de Antares de várias camadas sociais morrem de maneira repentina ou não tão repentina assim e seus corpos acabam insepultos na porta do campo santo, sendo eles:  D. Quitéria, matriarca dos Campolargo que morreu de infarto; Dr. Cícero Branco, advogado envolvido em falcatruas com os poderosos da cidade; o sapateiro Barcelona; o maestro Menandro, que se suicidou; a prostituta Erotildes, vítima de descaso médico; João Paz, ativista político morto depois de ter sido torturado pela polícia sob a acusação de comunismo; e, por fim, o bêbado Pudim de Cachaça, assassinado pela mulher, cansada de suas bebedeiras e agressões.

Insepultos diante do cemitério, os mortos voltam ao mundo dos vivos e se dirigem à cidade, provocando pânico e a certeza da ira divina.

Ao contrário de boa parte de seus pares do mundo literário, nossos mortos não voltam à vida para assombrar os vivos atravessando paredes, derrubando vasos ou puxando pés. Nossos mortos-vivos assombram os vivos com algo muito pior, a verdade.

Apesar de ser uma obra ficcional, Incidente em Antares é um reflexo do Brasil e faz duras críticas sociais desde a maneira como lidamos com a vida, a maneira que tentamos transparecer algo que só existe da porta de nossas casas para fora ou a forma que ignoramos as mazelas humanas ao nosso redor.

Incidente em Antares é um convite a reflexão sobre o passado que assombra e sobre a verdade que sempre volta para se revelar, mesmo que quando enterrada e dada por morta.

Sobre o autor:

Erico Lopes Verissimo (1905-1975), foi um escritor gaúcho de Cruz Alta, é considerado um dos autores mais populares do Brasil no século XX.

Recebeu o “Prêmio Machado de Assis” pelo conjunto da obra e o “Prêmio Graça Aranha” com “Caminhos Cruzados”.

Entre suas obras estão: Clarissa (1933), Caminhos Cruzados (1934), Música ao Longe (1935), Olhai os Lírios do Campo (1938), O Resto é Silêncio (1942). O Tempo e o Vento: O Continente (1949), O Retrato (1951) e Arquipélago (1961) e vários outros títulos.    

Fonte: Bibliotecas Públicas de Formiga  

 

               

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