Formiga é conhecida como um celeiro de artistas e, aos que dizem que não vai ter brasileiro no Oscar 2021, a dica é repensar tal afirmação. No dia 25, quando “Wolfwalkers” for anunciado entre os indicados a melhor longa de animação, o nome do formiguense Eduardo Damasceno estará, de certa forma, representado na disputa. Ele faz parte do time de profissionais por trás do filme, disponível para streaming na Apple TV+.

De acordo com informações de O Globo, “Wolfwalkers” conta a história de Robyn (voz de Honor Kneafsey), uma jovem caçadora aprendiz que viaja até a Irlanda com o pai para eliminar a última alcateia de lobos. Mas tudo muda quando ela se torna amiga de Mebh (voz de Eva Whittaker), integrante de uma tribo misteriosa, cujos membros supostamente se tornam lobos ao anoitecer.

A animação leva a assinatura da Cartoon Saloon, produtora irlandesa de grife, que costuma marcar presença no Oscar com suas obras. Tomm Moore, que dirige “Wolfwalkers” ao lado do estreante Ross Stewart, já concorreu à estatueta da categoria com “A canção do mar” e “O segredo dos Kells”.

Ao contar como entrou para esta trupe prestigiada de animadores, o formiguense Eduardo Damasceno lembra da dica dada por uma amiga, que o alertou para uma oportunidade de vaga de trabalho na Cartoon Saloon como supervisor de arte final de cenários em “Wolfwalkers”.

“Em 2018, eu tinha muitas dívidas e poucas perspectivas de quitá-las. Estava morrendo de medo, mas não tinha muita opção, então me inscrevi” disse o animador. “Eles curtiram meu trabalho com quadrinhos e gostaram de saber que eu tinha alguma experiência com animação, então me chamaram”.

Atuando nos ‘porões’

Formado em Produção Editoral, Eduardo Damasceno decidiu, em 2010, se dedicar mais à função de quadrinista. Junto com o amigo Luís Felipe Garrocho, lançou os romances gráficos “Achados e perdidos”, “Cosmonauta Cosmo” e “Quiral”. E por muitos anos foi um dos coordenadores do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte).

Nas animações, o formiguense atua pelos “porões”, que é como ele chama os departamentos de cenário. Em “Wolfwalkers”, particularmente, seu trabalho pode ser visto no contraste entre a harmonia dos traços fluidos da floresta em relação às construções geométricas e retilíneas da cidade.

“Para os cenários no vilarejo, utilizamos uma técnica que imitava xilogravura. Para a floresta, a finalização era a lápis, então desenhamos cada camada do layout separadamente em folhas A3, escaneamos e tratamos as imagens para construir o cenário digitalmente” explicou Eduardo.

Fonte: O Globo

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