Associação dos Servidores do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) confirmou, nesta segunda-feira (8), que está em 30 o número de pedidos de desligamento de coordenadores.

A exoneração coletiva vem em reação ao presidente do órgão, Danilo Dupas. Os cargos são ligados à execucação da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcada para os dias 21 e 28 de novembro, daqui a menos de duas semanas.

De acordo com o presidente da Associação, o número de exonerações tende a aumentar ao longo do dia, como meio de pressionar pela demissão do presidente do Inep.

No pedido de dispensa encaminhado à diretoria do Inep, os servidores justificam a saída pela “fragilidade técnica e administrativa da atual gestão máxima” do órgão. Também mencionam episódios de assédio moral, expostos em uma assembleia realizada na quinta-feira (4).

Cobranças ao MEC

Em nota, a Associação dos Servidores do Inep (Assinep) lamentou “profundamente” que o instituto tenha “chegado a esse ponto”.

Afirmou ainda que os demais servidores que continuam no Inep vão seguir trabalhando para que as demandas do órgão sejam cumpridas, mas cobrou uma “atuação urgente” do Ministério da Educação (MEC) e do governo federal para resolver a questão.

Alexandre Retamal, presidente da Assinep, afirmou à reportagem do portal g1 que os servidores só estavam tomando essa atitude “como um alerta para a sociedade para não serem responsabilizados diante de tudo o que pode acontecer”.

Ele ressaltou que, além do Enem, o Inep também cuida de sistemas que, por exemplo, estão ligados ao Censo da Educação Básica em 202. As informações do censo servem para a distribuição de recursos do Fundeb, que, segundo ele, está atrasada.

Outras demissões

A demissão em massa acontece dias após o pedido de exoneração de dois coordenadores ligados à realização do Enem.

Na sexta-feira (6), Eduardo Carvalho e Hélio Junio Rocha Morais, que ocupavam os cargos de coordenador-geral de exames para certificação e coordenador-geral de logística da aplicação, respectivamente, pediram demissão.

Em setembro, o então diretor de tecnologia responsável pela versão digital do exame, Daniel Miranda Pontes Rogério, solicitou exoneração de seu cargo. De acordo com o Inep, a decisão partiu de Rogério, que alegou “motivos pessoais”.

A presidência do Inep é comandada por Danilo Dupas, que ainda não se pronunciou.

Críticas ao planejamento do Enem

Na assembleia da semana passada, servidores do Inep disseram ver risco à aplicação da prova do Enem 2021 pelo que classificam de “falta de comando técnico”.

Em um ato realizado em frente ao prédio do instituto, em Brasília, um grupo de funcionários afirmou que a atual gestão promove um “clima de insegurança e medo”.

De acordo com o relato dos servidores, entre outras queixas, a aplicação das provas do Enem está sendo elaborada sem a atuação das Equipes de Incidentes e Resposta (ETIR), por decisão “arbitrária e unilateral” de pessoas com cargos de chefia, ligadas à presidência do instituto.

O grupo que fez o protesto conta que os técnicos do Inep não têm sido ouvidos. A associação que representa os servidores disse que iria enviar um relatório com as denúncias sobre os problemas para parlamentares federais.

Fonte: G1/O Tempo

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