Nos antigos filmes de faroeste, é comum assistir a ladrões fortemente armados que invadem cidades, assaltam bancos e desafiam as autoridades policiais. Não é exagero dizer que explosões de caixas eletrônicos e assaltos a agências bancárias do interior de Minas Gerais remetem diretamente a essas cenas. Em três dias, foram registrados pelo menos três ataques em diferentes municípios. Em todos os casos, os criminosos enfrentaram a Polícia Militar (PM).

A primeira das três ocorrências da semana foi registrada na segunda-feira em Santa Margarida, na Zona da Mata. Quatro criminosos mataram um militar e um vigilante e fugiram com R$ 90 mil. Menos de 24 horas depois, em Matias Cardoso, no Norte do Estado, uma quadrilha com aproximadamente dez suspeitos atirou contra um quartel da PM e cercou a casa de policiais.

Na madrugada de quarta-feira (12), em Coromandel, no Alto Paranaíba, esse faroeste teve mais um episódio. Criminosos invadiram a cidade, explodiram caixas eletrônicos e trocaram tiros com a polícia.
Os suspeitos chegaram ao município, que tem menos de 30 mil habitantes, por volta das 3h. Eles estavam em um Toyota Corolla prata, e, enquanto parte do grupo explodia a agência bancária, o restante dava cobertura armado de fuzis, pistolas e escopetas.

Uma viatura fazia o patrulhamento no município e acabou deparando-se com a ação dos bandidos, que estavam em uma praça no centro da cidade. Houve intensa troca de tiros, mas ninguém ficou ferido. As marcas dos disparos ficaram em pelo menos duas lojas e três casas. Após a explosão, o grupo fugiu e foi seguido pelos policiais, mas a viatura acabou tendo os pneus furados por utensílios feitos com pregos soldados, que foram espalhados pelos bandidos.

Análise

Para o doutor em sociologia e estudioso da violência institucional Moisés Augusto, o processo de “interiorização” do crime de assalto a bancos ocorre há pelo menos dez anos. Segundo ele, as quadrilhas preferem atuar em locais mais vulneráveis, que têm, entre outras razões, como a facilidade de fuga, um menor número de policiais.

“Não adianta somente aumentar o efetivo (de policiais militares). É preciso usar a inteligência para identificar e monitorar as quadrilhas especializadas nesse tipo de crime”, analisou.
Augusto defende uma reformulação do aparelho de segurança do Estado e a união das polícias. “Se o crime é especializado, é preciso especializar também o combate. A inteligência precisa se antecipar ao crime”, afirmou. Para ele, essa integração deveria contemplar inclusive a Polícia Federal, já que é preciso manter a segurança nas fronteiras

 

Polícia Militar

O major Flávio Santiago, chefe da Sala de Imprensa da corporação, informou que, desde o início do ano, a PM tem priorizado a melhoria das condições em cidades do interior. Em 2017, foram distribuídas 700 viaturas, além de armamentos. As polícias Civil e Militar informaram que trabalham de maneira conjunta. A Polícia Civil informou que o combate à explosão de caixas eletrônicos é prioridade na corporação.

 

Números

Em 2015 foram registrados 55 roubos a banco no Estado. O índice reduziu-se para 47 no ano passado. Até abril deste ano, são 17 casos.

 

Legislação

A lei exige que bancos apresentem um plano de segurança para a Polícia Federal para funcionar. Entre as exigências estão: manutenção de um serviço de vigilância armada; instalação de um sistema de alarme que permita a comunicação entre a agência e outro banco da mesma instituição, empresa de monitoramento ou órgão policial. É preciso ter ainda pelo menos um dos seguintes dispositivos: circuito fechado de televisão, dispositivos que retardem a ação de criminosos ou escudo blindado para vigilantes.

 

Quadrilha

Combina de se entregar e não aparece

A caçada pelo quarto suspeito de roubar um banco e matar um policial militar e um vigilante em Santa Margarida, na Zona da Mata, poderia ter terminado quarta. O suspeito Daniel Rodrigues de Aguiar, 33, identificado como o especialista em explosivos da quadrilha, marcou de se entregar nesta quarta-feira, mas não apareceu. De acordo com o delegado que investiga o caso, Felipe Ornelas, o advogado do suspeito marcou um encontro com as autoridades em uma estrada, entre Divino e Orizânia.

Segundo o investigador, o suspeito pediu, inclusive, a presença da imprensa para se entregar. O motivo da quebra do acordo não foi informado por Aguiar. “Agora, vamos continuar a caçada”, garantiu o delegado. A Justiça já expediu, inclusive, o mandado de prisão. Além disso, as detenções em flagrante dos outros três suspeitos foram convertidas em prisões preventivas, conforme o investigador.

 

Fonte: O Tempo ||

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