Para alcançar a retomada do crescimento econômico, o atual governo incentiva o investimento privado, com menor participação do Estado na economia e acredita serem atrativas todas as oportunidades de negócios para os investidores.
Esquece ser atraente para o capital privado somente as regiões ricas, onde se tem uma ampla rede de infraestrutura e alta densidade populacional. Nas demais regiões, principalmente no Norte e Nordeste, não são todas opções viáveis economicamente para o capital particular e o Estado terá de investir diretamente ou gerar estímulos.
Nesse sentido, o ministro da Economia, Paulo Guedes, não cansa de tecer elogios aos investidores e todas as suas ações são agradar aos seus pares. Em entrevista à Folha de São Paulo, ele afirmou que os ricos sabem capitalizar seus recursos e os pobres não poupam e consomem tudo. Dessa forma, criticou o alto consumo dos pobres, sem apresentar alternativas para reverter essa situação, como por exemplo, a implementação de um programa nacional de educação financeira para a geração de cidadãos economicamente independentes.
O ministro esqueceu ser o Brasil uma economia capitalista baseada no consumo, onde todo investimento espera encontrar um mercado, interno e/ou externo, interessado em seus produtos e serviços.
O consumo é efetuado por todas as camadas da população, não só pobres, mas denota as desigualdades sociais do país. Enquanto os pobres têm parcos rendimentos, insuficientes, muitas vezes, para arcar com o consumo de itens essenciais, como habitação, alimentação, transporte, saúde, etc., os ricos gastam uma parte de sua renda em itens essenciais e supérfluos, o restante da renda é aplicado em renda fixa ou variável, investido em outros ativos, como imóveis, negócio próprio, etc.
O Brasil sempre teve um mercado interno de consumo forte e também uma baixa taxa interna de poupança. Por outro lado, países como o Japão, têm uma alta taxa interna de poupança e o Governo tenta incentivar o aumento do consumo, sem resultado, e já são 30 anos de recessão e deflação.
A alta taxa interna de poupança está ligada ao sistema previdenciário. Vejamos:
O Japão não tem um sistema previdenciário, as famílias poupam durante toda a vida produtiva para terem renda disponível na velhice.
Já o Brasil tem um sistema previdenciário garantidor de um mínimo para a sua população e tem uma baixa taxa interna de poupança.
Com a aprovação no Brasil, neste ano, da Reforma da Previdência, com a retirada de diversos benefícios, no futuro, as famílias brasileiras pouparão mais. Teremos uma alta taxa interna de poupança, mas contaremos com um fraco mercado interno de consumo, a exemplo do Japão hoje, quando então o mercado será o dos sonhos do atual ministro da Economia, sem direitos previdenciários, onde as pessoas consomem menos e investem para garantir o seu futuro.

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