Antes mesmo de anunciar a fusão do que resultará na maior instituição financeira do Hemisfério Sul, o Unibanco e o Itaú foram os únicos entre os grandes bancos que se apressaram em anunciar reajustes em suas tarifas. Além das duas instituições, a Nossa Caixa também elevou o valor de alguns serviços. A Resolução 3.518/07, que impedia os bancos de praticarem reajustes pelo período de 180 dias, vigorou até 29 de outubro. Surpreendidos com os novos preços, que passaram a valer a partir do dia 30, alguns correntistas dizem não ter recebido comunicado prévio das agências. Norma do Banco Central estabelece que os clientes devem ser informados com 30 dias de antecedência.
De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) realizado entre os 10 maiores bancos do país, o destaque ficou por conta do Unibanco, que efetuou reajuste médio de 6%, em seis meses. O banco aumentou o valor de praticamente todas as tarifas e pacotes. O representante comercial Luiz Carlos Farnesi, antes mesmo do anúncio da fusão entre Itaú e Unibanco, já era correntista das duas instituições. Ele diz não ter recebido qualquer comunicado e considera que o custo das taxas pesa para o correntista. Por isso, respira aliviado ao tomar conhecimento dos reajustes: ?A sorte é que faço grande parte de minha movimentação financeira no Itaú. Quase não uso o Unibanco?. Ione Amorim, economista do Idec, ressalta que, caso o cliente não seja avisado sobre o aumento, por meio de carta formal da instituição, pode se recusar a pagar o valor extra.
Das 31 tarifas padronizadas pelo Unibanco, apenas seis não foram reajustadas. O fornecimento de cheque a partir da 11ª folha passou de R$ 1,40 para R$ 1,50 (7,14%). O menor reajuste foi para transferência entre contas na própria instituição (a partir da terceira transferência), de R$ 1,40 para R$ 1,45 (3,57%). Outras 21 tarifas do Unibanco foram reajustadas em média 6,15%.
Ione Amorim alerta que o consumidor deve ficar atento ao escolher pacotes de serviços, optando apenas por aqueles que realmente vai utilizar. ?Uma boa opção é negociar com os bancos redução dos preços estabelecidos?, diz a economista. O técnico em planejamento Fabiano Moreira de Alvarenga diz que seus gastos mensais com tarifas são em média de R$ 25. Para conseguir manter o valor, ele limita o número de serviços que utiliza. ?As tarifas bancárias são bastante altas. A opção é usar cada vez menos os serviços ofertados.? Ione Amorim lembra que novos reajustes podem ser anunciados nos próximos dias por outras instituições.
Segundo o Idec, na Nossa Caixa, os reajustes não foram uniformes e aplicados na tabela de tarifas de serviços avulsos, o que representa um reajuste de 41% para quem abrir uma nova conta a partir da vigência das novas taxas. O fornecimento de cheques a partir da 11ª folha e a tarifa de cheque de transferência bancária sofreram reajustes de R$ 0,35 para R$ 0,90 (157%). A tarifa para confecção de cadastro para início de relacionamento subiu de R$ 20 para R$ 40 (100%). A renovação de cadastro foi de R$ 20,00 para R$ 32,00 (60%).
Até quarta-feira, o Banco Itaú havia divulgado o reajuste de duas tarifas avulsas, mantendo o valor dos pacotes. Os reajustes foram aplicados na tarifa de Exclusão do Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF), de R$ 24,50 para R$ 32 (30,61%), e na tarifa de concessão de adiantamento a depositante (quando o consumidor excede o limite da conta corrente), de R$ 30 para R$ 34 (13,33%).
?Não estou sabendo quais os serviços foram reajustados e também não me lembro de ter recebido comunicado, pode ser porque o titular principal da conta é o meu pai?, diz o estudante, correntista do Itaú, Eliabe de Souza, que considera caros serviços como a consulta de extratos.

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