Cercada por mitos e preconceitos, a hanseníase foi diagnosticada em 968 mineiros em 2019. Em relação a anos anteriores, houve queda nos registros, mas o alerta contra a doença permanece, principalmente nesta época, quando acontece o Janeiro Roxo, mês de conscientização sobre a enfermidade.

O foco das ações é mostrar que existe cura. O tratamento é gratuito, oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Quanto mais cedo o paciente procurar ajuda, maior a chance de recuperação. Para isso, ele deve ficar atentos aos sintomas, que atingem a pele e nervos, podendo provocar incapacidades e deformidades físicas.

Dentre os principais estão as manchas na pele. Claras e sem sensação, fazem com que a pessoa não sinta calor ou, nem mesmo, uma espetada no local. O paciente também pode sentir dores e encurtamento nos nervos das mãos e pés, podendo chegar até o rosto. 

Causada por uma bactéria, a hanseníase já chegou a ser conhecida como lepra, aumentando ainda mais o estigma dos doentes, lembra a membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Paula Salomão.

Porém, vale uma curiosidade sobre a doença infecciosa: nem todos que têm contato com a bactéria desenvolvem a hanseníase. “No contato íntimo, adoecem uma a cada três pessoas. No convívio eventual, entre 2% e 5%”, afirma a dermatologista.

Para identificar a doença, é feita uma avaliação neurológica e na pele do paciente. Também dermatologista, Lívia Botti reforça a necessidade de procurar ajuda logo após os primeiros sinais. 

“Quando se está em um estado mais avançado, pode-se ter placas vermelhas e lesões na pele, podendo até chegar à necrose de nariz. Por isso, o ideal é identificar a doença na fase inicial. Quando é mais avançado, o tratamento é mais difícil”. 

De acordo com a médica, por se tratar de uma doença crônica, o período de incubação tem de dois a cinco anos. “O parasita tem alta infectividade, mas baixa patogenicidade. Portanto, é lento. Até produzir a hanseníase, levam-se anos”.

Tratamento
O tratamento depende de cada caso, mas pode levar até 18 meses. O paciente precisa ter paciência e ficar atentos às orientações profissionais. A terapia é feita por meio de Poliquimioterapia (PQT) – via oral -, administrada em associação a medicamentos antimicrobianos. 

Desde o início dos cuidados, a doença deixa de ser contagiosa. Porém, pessoas que moraram com portadores nos últimos cinco anos devem ser avaliadas por meio de exames.

Doutora em Medicina, Dermatologia e Hansenologia, Ana Regina Coelho de Andrade engrossa o coro da conscientização para se evitar o preconceito. “O cuidado é o mesmo que se deve ter com qualquer doença infectocontagiosa”, explica.

Ações
A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) iniciou nesta semana uma série de ações de conscientização. As atividades vão se estender até 20 de fevereiro e têm como objetivo alertar a sociedade sobre os sinais e sintomas da doença, incentivando a procura pelos serviços de saúde.

Profissionais de saúde também serão mobilizados quanto à busca ativa de novos casos e realização de exames em pessoas que convivem com o doente, além de divulgar o tratamento oferecido. 

Em alusão ao Dia Mundial de Combate à Hanseníase, lembrando em 31 de janeiro, a PBH preparou abordagens aos usuários, palestras, rodas de conversa e atividades educativas nas salas de espera dos Centros de Saúde e nas academias da cidade.

 

Fonte: Hoje em Dia||
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